Invasão Zumbi mostra o drama pela sobrevivência


Distribuído nacionalmente pela Paris Filmes e com estreia em 29 de dezembro de 2016, Invasão Zumbi (ou Train to Busan, ou 부산행) é mais do que um filme de zumbis, mas uma grande oportunidade para o mundo conhecer mais do cinema coreano e provar que não só de blockbusters Hollywoodianos que se vive.

Seok Woo (Gong Yoo) é um gestor de investimentos em Seul. Divorciado, mora com sua filha Soo An (Kim Soo Ahn), mas não passa muito tempo com a garota ou demostra afeto por ela. Na noite anterior ao aniversário da menina, Soo An insiste em querer passar o aniversário com sua mãe em Busan e o pai concorda em leva-la na manhã seguinte. Antes do trem KTX partir, uma garota infectada por um vírus zumbi embarca, transmitindo-o para outros passageiros que, agora, precisam lutar por suas vidas em uma onda de violência que deixa a Coreia em estado de emergência.

Com muita ação e mais dramático que assustador, o longa faz jus às produções coreanas de destaque que, em sua grande maioria, baseiam-se em dramas que prendem olhares, cativam corações e deixam os nervos à flor da pele. Longe de superficialidades, apesar do plano principal ser um cenário apocalíptico, apresenta temas que aprofundam-se e tornam a tensão mais sentimentalista ou apreensiva, dependendo do momento.


Enquanto cidades coreanas são destruídas pelos ataques violentos e autoridades insistem que nenhum cidadão deixe suas casas, aqueles que estão nos vagões de um trem formam pequenas equipes de resgate e luta para garantir a própria vida dentro de alguns metros quadrados. A divisão de classes vai além do dinheiro e coloca mais um problema à mesa para os passageiros do KTX.

Ao ritmo que o trem anda (literalmente), os personagens se desenvolvem e novas situações aparecem pelas interações entre eles, surgindo debates sobre egoísmo, altruísmo, sacrifício, humanismo e, principalmente, coragem, com destaque aos atores que conseguiram colocar todos os sentimentos e incertezas enquanto cresciam em cena. Em conjunto, quem assiste é convidado a refletir sobre as decisões dos personagens e colocar-se no lugar, "como eu agiria nessa circunstância?".


O protagonista Seok Woo, inicialmente "engomadinho" e egoísta, é o principal alvo de amadurecimentos ao longo do filme. Assim, Gong Yoo mais uma vez mostra-se um excelente ator, vide seu trabalho mais recente no dorama (seriados/novelas asiáticos) Goblin e no clássico Coffee Prince, de 2007, galã em ambos.

A pequena Kim Soo Ahn, de 10 anos, já revela sua relevância por cada parte de sua atuação, com um ótimo desempenho em uma esfera tão desesperadora como a tratada em Train to Busan. Sua carreira segue em ascensão ao já ter assumido papéis em diversos filmes desde 2011 e dois lançamentos programados para 2016: With God e Battleship Island.

Jung Yu Mi e Ma Dong Seok, nos papéis de Sung Kyung e Sang Hwa, respectivamente, merecem destaque tanto por suas atuações individuais como pela sintonia como dupla apaixonada, parceira e com certos paradigmas quebrados ao interpretarem uma grávida e um não-galã tão fortes e determinados.


Aos entusiastas de K-POP, estilo musical originário do país, a participação da cantora So Hee no elenco agrega certo valor ao filme. No papel da jovem líder de torcida Jin Hee, a icônica ex-Wonder Girls demonstra-se também uma boa atriz em desenvolvimento, com uma aparição que, de início, aparenta não ser grande coisa, um mero fanservice, mas revela-se maior ao longo da história - assim como seus parceiros do time de Beisebol.

Em relação aos próprios zumbis, nada de novo é acrescentado, mas vale cada centavo por considerar a expansão mundial do cinema coreano e de sua forma de fazer as coisas. O filme captura com excelência a fatalidade de um apocalipse e suas consequências dentro de uma sociedade completamente despreparada para tal eventualidade. 

Pela direção de Yeon Sang Ho, inúmeras cenas de ação de humanos destemidos contra mortos-vivos desesperados por uma mordida aproximam-nos dos personagens e de cada situação ocorrente nos vagões do trem em questão. Tudo encaixa-se perfeitamente e caminha direto ao ponto, o trabalho de câmeras como um fio condutor que leva os espectadores a agoniarem-se junto aos passageiros, sentirem seus medos e torcerem pelo melhor.


Com esse trabalho, Sang Ho levou o prêmio de melhor diretor no Sitges International Fantastic Film Festival, um dos maiores festivais mundiais especializados em filmes de fantasia e terror. Ele também trabalhou com zumbis em "Seoul Station", animação gêmea lançada em 2016. A trama aborda grupos de pessoas que tentam sobreviver a uma epidemia zumbi desencadeada no centro de Seul.

No mesmo festival, Train to Busan ainda levou o título de melhores efeitos especiais, o que já era de se esperar após uma produção impecável. A equipe responsável pela criação VFX foi da Digital Idea, estúdio coreano que já trabalhou em mais de 350 filmes como The Tower (2012), The Thieves (2012), The Face Reader (2013) e Dragon Blade (2015).

Por fim, Invasão Zumbi passa a ser o grande arremesso da Coreia para expandir seu mercado cinematográfico internacionalmente. Aos que não estão acostumados, o excesso dramático e de dinâmica pode causar certa estranheza, apenas um preconceito a ser perdido. Seguir regras diferentes das ocidentais não é sinônimo de melhor ou pior, mas cabe ao espectador analisar com imparcialidade suas diferenças.

Veja também

6 comentários

  1. Amei a resenha, super completa e também acho ótimo para o pessoal que não é ligado em Ásia parar com preconceitos e julgar imparcialmente. Também gostei de saber que tem muita coisa além de zumbis na história. Bjs e parabéns!

    Blog Meu Aleatório

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O cinema da Ásia é bem diferente do ocidental, ficar com esses preconceitos bobos só faz as pessoas perderem os ótimos filmes que são produzidos lá. A história de Train to Busan via muito além dos zumbis, tem uma crítica forte oculta e vale a pena DEMAIS.

      Beijos, Fer.
      E obrigada pelos comentários sempre tão gentis. <3

      Excluir
  2. Oi, tudo bom?
    Gostei muito da resenha, mas eu nã gosto muito de zumbi. Inclusive hoje vi ele em cartaz no cinema e não tive aquele interesse sabe?

    Conheci seu blog agora, gostei bastante, segui nas redes sociais. Se quiser da uma olhada no meu, agradeço!

    Beijos
    www.paginadaleitura.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, tudo ótimo. E com você, Lidiane?
      Eu também não gosto muito de zumbi, vou confessar para você, rs, mas sou fã do cinema coreano e acabei dando uma chance só por isso mesmo, acabou que valeu a pena.

      Vou dar uma olhada sim, tá?
      Beijos!

      Excluir
  3. Muitas pessoas estão comentando e elogiando esse filme, mas honestamente não consigo enxergar o que difere ele do resto dos filmes de zumbis. Só assistindo pra descobrir né :D ótima resenha!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carol, talvez não tenha algum elemento que realmente diferencie este dos outros filmes de zumbis, mas o que está chamando a atenção nesse filme é a sua origem. O cinema coreano (asiático em geral) não é tão valorizado internacionalmente, um longa de lá fazer tanto sucesso como este está fazendo e ser considerado pelos críticos tão bom quanto (ou até mesmo superior) aos ocidentais do mesmo gênero é uma conquista e tanto. Por isso do bafafá todo por Invasão Zumbi, haha. Mas vá assistir sim, o filme é ótimo!


      Beijos e obrigada! <3

      Excluir