O Nascimento da Obra — Além do País das Maravilhas


"Um livro de perguntas móveis e mutantes, sem respostas prontas, que nos convida a procurar o jardim de inesgotáveis possibilidades criativas que existe em cada um de nós". É assim que Adriana Peliano, presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, descreve Alice no País das Maravilhas.

O enredo que viria a se tornar mundialmente conhecido surgiu oralmente em um passeio de barco que fazia com três filhas de Henry Liddell pelo rio Tâmisa, em 4 de julho de 1862. Durante a viagem, Charles que cresceu contando histórias aos seus dez irmãos, improvisou um conto fantástico a pedido das meninas em que Alice, sua preferida entre as três, era a protagonista.

Alice Liddell, fotografada por Lewis Carroll em 1858.
Ainda usou elementos do cotidiano de sua vida e das garotas a fim de tornar a aventura mais familiar às ouvintes, incorporando, por exemplo, o coelho de estimação que elas possuíam, referência política ao relacionar a Rainha de Copas à Rainha Vitória, e mesmo um excêntrico vendedor de móveis, Theophilus Carter, que viria a ser base para o Chapeleiro.

Registro da Rainha Vitória feito em 1860.
No fim daquele mesmo ano, transformou a história da garota que caía em um buraco em um pequeno livro sob o título "As aventuras de Alice debaixo da terra", que deu a Alice Liddell como presente de Natal. A ideia de publicar a história, entretanto, veio somente três anos mais tarde, quando releu o texto e alterou seu nome para “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, comumente chamado apenas de “Alice no País das Maravilhas”. Henry Kingsley, também escritor, sugeriu que Alice fosse publicado sem especificar se o texto era dedicado a adultos ou crianças.


Gato de Cheshire, por John Tenniel, para a obra de Lewis Carroll.
O celebrado artista inglês John Tenniel foi o primeiro a ilustrar Alice no País das Maravilhas, em 1865. Sete anos depois, quando Carroll publicou Alice através do espelho, Tenniel também assinou as ilustrações.

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