"Tá todo mundo mal", acerta Jout Jout no livro das crises


"Você provavelmente não me conhece. Ou me conhece muito. Somos completos desconhecidos ou talvez façamos parte de uma família que cultivamos com um amor imenso. De qualquer forma, somos parecidíssimos. Porque eu tenho crises e você tem crises. Quem sabe já tivemos as mesmas crises. Se você me contasse suas crises, eu riria e falaria 'ai, sei exatamente como é'."

Assim a autora e youtuber Julia Tolezano, ou melhor, Jout Jout, abre seu primeiro livro. O conteúdo se destaca do publicado por outros influenciadores digitais ao deixar de lado a autobiografia e crônicas de "primeiras vezes" para agregar, em forma escrita, àquilo que comenta com certa (lê-se: muita) frequência em seu canal: crises.


Se você não é um seguidor dela, talvez não esteja familiarizado com suas conversas sobre banheiros, brigadeiros ou qualquer outro assunto que possa parecer banal, mas que acabam virando uma verdadeira aula de "reveja aí esses conceitos", além de todos os tabus que são quebrados em seus vídeos - seja por um relacionamento abusivo em que você estava, que te consumia, mas ainda não tinha percebido, seja por uma simples falta de vontade de ficar em uma festa até o final dela para parecer "cool", quando é super ok ir embora mais cedo. 

O que fazer com aquele sushi que sobrou e o sentimento de culpa por ter comprado mais do que você é capaz de comer? E aquele pavor de se sentir uma amiga ruim por não suprir as expectativas que as pessoas colocam em você? Pior, as expectativas que você coloca sobre si mesmo? Ou então, aquela crise que está ali, e você nem sabe que ela está ali. Família, corpo, inseguranças, faculdade, relações, trabalho, morar sozinha, vida adulta, declarar imposto de renda, meu Deus, que desespero!


É nesse ritmo que o livro vai, narrando coisas que aconteceram com a Julia, mas que poderiam ter acontecido com qualquer um de nós - e algumas, de fato, em menor ou maior grau, aconteceram ou virão a acontecer. Ao escrever Tá Todo Mundo Mal, Jout Jout adota (talvez sem perceber) um papel de amiga/conselheira/analista/salvadora da nação ao se colocar para falar de algo tão pessoal, quando muitos não fazem ideia do quão importante é ter alguém para conversar sobre nossas crises cotidianas.

Esse bate-papo em forma de livro nos ajuda não a entendê-las e lidar com elas de uma forma mais alto-astral, divertida, comparando as nossas com as alheias porque identificação é importante SIM. Esse simples processo de aceitar que as crises nunca pararão faz com que não venhamos a sofrer tanto, pois fazem parte de nós. Todo mundo tem. Tá todo mundo mal. É inerente nosso - mas se você for de Peixes igual Julia e eu, multiplique essas situações por vinte e faça um brigadeiro de colher toda vez que elas te atingirem.

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