6 motivos para assistir Paradise Kiss

by - outubro 30, 2017


Paradise Kiss (パラダイスキス) é uma obra de Ai Yazawa que mistura suas duas paixões: a moda os mangás. Surgiu como um mangá que foi inicialmente publicado entre os anos de 1999 e 2003 na revista Zipper, ganhando sua adaptação em anime para televisão em 2005, com o total de doze episódios produzidos pela Madhouse transmitidos pela Animax e Fuji TV.

Em seu enredo nos apresenta a Hayasaka Yukari, uma garota de 17 anos que, por pressão da família, está prestes a prestar o vestibular, mas seu destino muda após ser abordada por um estranho punk que, na verdade, é membro de um grupo de estilistas e auxiliares que buscam uma modelo para desfilar no concurso do último ano letivo deles na faculdade de moda. Para George, entretanto, ela é mais que um belo rosto.

Se uma breve sinopse não é capaz de te convencer de que vale a pena dar uma chance a este anime, talvez cinco motivos possam fazer a sua cabeça.


Primeiramente, a moda. O assunto mais abordado do anime/mangá é apresentado em grande estilo, literalmente, mostrando o dia a dia de jovens universitários que sonham em tornarem-se estilistas e, mesmo com o pouco sucesso neste primeiro momento, dedicam-se com grande afinco ao que desejam, desenhando roupas, costurando-as, planejando desfiles e até mesmo a busca pela modelo perfeita. Não precisa ser um grande amante de moda para entender a paixão deles e simpatizar com os personagens que, mesmo tão diferentes entre si, carregam no fundo o mesmo sonho e amor.


Esses personagens ainda trazem consigo uma nova percepção da vida adulta e do amadurecimento pessoal, bem diferente dos "shoujos" clássicos e romantizados, mas mais comum do gênero a qual responde, Josei, definido por histórias voltadas para o público feminino adulto. As personagens constantemente lidam com a pressão do "encontrar-se no mundo" com dramas familiares pesados, encaram suas primeiras experiências profissionais e descobertas de quem são ou deixaram de ser e, claro, revela maior ousadia nos relacionamentos românticos.


Como citado acima, não, esse não é mais um romance clichê. Aquela coisa de borboletas no estômago ao tocar na mão do senpai ficou no passado, já que nos Josei as personagens querem mesmo é uma pegação mais evoluída que um simples selar de lábios em frente ao portão da escola. Beijos demorados, mãos bobas e insinuações de sexo são mais frequentes em Paradise Kiss, que apresenta um amor maduro, digno da idade de seus personagens. Mas, por maduro, entende-se também que os problemas encontrados também são maiores e acaba rolando aquele drama amoroso com DRs mais frenéticas.


Não só o romance passa a ser "diferentão", mas os traços dos personagens e cenários ganham uma cara diferente, mais expressivos e um pouco mais semelhantes a traços de desenhos de moda, o que talvez tenha sido intencional, já que sua autora é uma apaixonada do ramo. Grandes detalhes fixam-se às vestimentas, principalmente, colocando-os em trajes que, julgando a primeiro olhar, poderiam ser exemplos de estereótipos como o punk de piercings e fofinha de cabelos rosados e vestidos bufantes. Entretanto, ao conhecer a personalidade deles, vemos-nos completamente enganados por sua imagem, entendendo o recado de que as roupas nem sempre falam sobre a pessoa que as veste, as vezes é apenas uma expressão artística ou gosto peculiar. 


E como se não bastasse tanta coisa boa para uma única trama, apresenta ainda uma personagem trans, nos dando acesso a sua história de vida e autodescoberta sem estereotipar ou superdramatizar em cima de sua existência, mas dando-lhe a devida importância ao colocar em jogo um assunto considerado tabu por muitos conservadores e sua importância dentro do mundo no qual está inserida, a universidade de moda, não sendo considerada demais nem de menos por ser transsexual, mas sim por seu caráter e talento.


Além, é claro, de uma trilha sonora muito boa. É praticamente impossível pular a abertura ("Lonely in Gorgeous", por Tommy february6) ou o tema de encerramento ("Do You Want To?", de Franz Ferdinand) de tão boas que ambas as músicas são. A primeira segue um estilo mais similar às comuns canções de abertura de anime, com um estilo bem japonês, apesar do inglês misturado em sua letra. A última, entretanto, parece ter saído de um álbum perdido dos Beatles de tão anos 60 que é - e, sim, isso é um elogio.


Além do mangá e do anime, a história de Paradise Kiss também foi adaptada para os cinemas em 2011, com o lançamento de sua primeira versão em filme live action dirigido por Takehiko Shinjo, que havia trabalhado anteriormente com o popular filme Boku no Hatsukoi o Kimi ni Sasagu (僕の初恋をキミに捧ぐ, que em português seria algo como "ofereço-te o meu primeiro amor"), lançado em 2009.

Sua versão cinematográfica, entretanto, será comentada separadamente em uma futura oportunidade. Por enquanto, faça este favor a si mesmo e assista ao anime de Paradise Kiss, que merece uma chance e é digno de reconhecimento mundial ainda agora, tantos anos após seu lançamento.

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