Assassinato no Expresso do Oriente honra em nova versão cinematográfica

by - dezembro 08, 2017


Baseado no romance policial homônimo de Agatha Christie, "Assassinato no Expresso do Oriente" conta como treze estranhos presos em um trem tornam-se suspeitos de um misterioso assassinato que aconteceu na calada da noite. Hercule Poirot, detetive, corre contra o tempo para montar este quebra-cabeça antes que o crime se repita e o assassino ataque novamente.

Lançado no Brasil em 30 de novembro, esta, entretanto, não é a primeira adaptação cinematográfica da aclamada obra da literatura britânica, sendo sua primeira lançada em 1974. A nova versão do enredo de suspense é dirigida por Kenneth Branagh (Dunkirk, Cinderela) com roteiro de Michael Green e distribuição da 20th Century Fox.


O elenco é um dos principais atrativos da adaptação recém-lançada, com nomes como Daisy Ridley (Star Wars), Josh Gad (Animais Fantásticos e Onde Habitam), Johnny Depp (Piratas do Caribe) e Michelle Pfeiffer (Hairspray) em papéis de destaque. Kenneth Branagh, além de dirigir o longa, interpreta ainda o personagem principal Hercule Pirot, detetive a bordo do Expresso do Oriente que inicia minuciosa investigação após um passageiro de inúmeros inimigos ser encontrado morto.

Para quem não leu ou livro ou teve contato com a versão anterior e, portanto, não sabe o desfecho da trama, a obra de 2017 consegue climatizar seu espectador na atmosfera suspensiva que o leva a tirar palpites precipitados quanto ao verdadeiro assassino, estando sempre na tensão por saber qual será o próximo passo de Pirot em seu estudo sobre as personalidades dos suspeitos e da vítima.


O modo como as coisas se encaixam ao decorrer da história só demonstram como Agatha Christie foi um gênio a frente de sua época, digna de todo o reconhecimento que recebe até hoje como Rainha/Dama do Crime, mais de quadro décadas após seu falecimento.

É notável ainda um belíssimo trabalho fotográfico e de jogo de câmeras, principalmente quanto aos takes gravados de cima, com ângulos inusitados que colaboram com o clima de expectativa e ansiedade. Apresenta ainda certa sincronia nos vagões do trem que, nas cenas exteriores, é quebrada pelo próprio trem, que apresenta-se tombado, centralizado entre os personagens - uma espécie de metáfora quanto ao que acontece na mente dos passageiros, talvez?


Mesmo sendo uma obra de ficção, é interessante analisar que alguns fatores da vida real inspiraram a criação do livro e, consequentemente, afetam suas adaptações. Em 1931, Agatha, que tinha forte ligação com o Expresso do Oriente, serviço que ligava Paris a Istambul, ficou presa no trem por 24 horas por conta de uma chuva. Enquanto não podia deixar o local, escreveu a seu marido uma carta que descrevia as características físicas de alguns passageiros, que serviram como base para seu futuro romance.

O grande mistério surgiu um ano mais tarde, quando a autora descobriu sobre o sequestro de Charles Lindbergh Jr., o bebê de um famoso aviador da época que foi achado morto tempos depois, tendo a empregada como principal suspeita. Pela pressão, Violet Sharp, como era chamada, cometeu suicídio, mas pouco após sua morte a polícia concluiu que ela não estava envolvida no caso, levando Bruno Hauptmann, imigrante alemão, a ser condenado à pena de morte pelo crime de sequestro e assassinato sob pressão da mídia. Bruno morreu jurando inocência, e até hoje há duvidas sobre o caso.


Ambos livro e filmes trazem em sua base a busca pela justiça desse caso real cuja verdade ainda é omitida. O desfecho das histórias, entretanto, é diferente. A trama ficcional foca, ainda, no emocional do detetive, que tem sua viagem tranquila abalada por um acontecimento que o faz duvidar sobre a própria juricidade - fortemente construída no início do filme, por uma cena colocada apenas para passar credibilidade a sua figura.

A dramaticidade de um romance policial cult mistura-se ao blockbuster cinematográfico e entrega uma surpreendente narrativa de mistério já consagrada pela crítica em uma adaptação rica em estética e personalidade, tornando Assassinato no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh em, talvez, um forte candidato a prêmios da atualidade.

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