Filme de Extraordinário é encantador, emocionante e fiel

by - dezembro 03, 2017


Não é raro vermos comentários de leitores assíduos que detonam com adaptações cinematográficas de seus livros preferidos pela falta de fidelidade ao conteúdo da obra original, mas Extraordinário conseguiu desviar dessas críticas ao apresentar um filme extremamente fiel ao seu livro.

Extraordinário ainda não chegou oficialmente aos cinemas brasileiros: sua estreia está marcada para o dia 07 de dezembro, mas algumas redes de cinema ao redor do país presentearam os fãs e curiosos com sessões especiais de pré-estreia no fim de semana, 02 e 03 de dezembro, no qual pude conferir e poder, por fim, matar a minha ansiedade de conferir essa adaptação - depois de ter falado sobre este livro várias vezes aqui no blog, incluindo a resenha, um especial com os melhores trechos do livro e um projeto que fiz com várias blogueiras literárias, quais comentamos sobre as cenas do livro que não poderiam faltar em sua versão cinematográfica.


Acredito que nenhuma delas sairá decepcionada das salas, assim como não saí. O filme consegue ser fiel não somente ao conteúdo do livro, com a presença de personagens marcantes, diálogos muito bem reproduzidos ou cenas que conseguem transparecer a mesma emoção em ambas as mídias, mas também em recursos próprios da autora, como separar o livro por pontos de vista, proporcionando a personagens secundários a chance de serem o narrador e apresentarem o seu lado da história e aos leitores de saberem o que se passa na mente de cada pessoa que cerca a vida de Auggie, nosso protagonista. Os espectadores, surpreendentemente, também vivem essa experiência no filme e é extremamente maravilhoso.

E se o livro tinha muita referência a Star Wars, o filme conseguiu retratar isso muito bem, dando ainda aquele bônus para quem é fã da saga e quis arriscar no filme. Quem não é fã, entretanto, acabou perdendo várias referências de carga cômica e emocional ao longo de Extraordinário e isso talvez possa ter atrapalhado um pouco, mas fica a oportunidade de conhecer esta que é uma das franquias de maior sucesso do cinema.


O time de atores é, sem dúvidas, excelente. Julia Roberts merece um Oscar por ter interpretado tão bem os sentimentos de uma mãe preocupada que acaba de enviar o seu filho ao mundo, mas o maior destaque vai ainda para o pequeno Jacob Tremblay, que já conquistou os cinéfilos por longas como O Sono da Morte e O Quarto de Jack, conseguindo superar seus próprios feitos neste lançamento.

Interpretar uma criança de sua idade não parece ser um trabalho difícil: crianças brincam, pulam, correm, tomam sorvete e jogam vídeo-games tanto na vida real como nas telas do cinema, mas nem todos possuem a mesma rara síndrome genética de Auggie, que o deixou com deformidades faciais desde o nascimento. A vida do garoto - e de todos ao seu redor - sempre foi muito difícil, com 27 cirurgias realizadas com apenas dez anos de idade, mas a ideia de ter que começar a frequentar a escola ainda lhe parece um enorme desafio, assim como é para qualquer criança normal: Auggie é criança normal. E não é a sua aparência que determinará o contrário, mas o seu coração.


Ambos filme e livro nos proporcionam a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento social de Auggie e seu processo de aceitação pessoal e pública, além de conhecermos ainda diversas histórias correlatas de personagens paralelos a sua vida, todos extraordinários, mas nenhum tão extraordinário quando o pequeno August Pullman e a sua encantadora mensagem sobre a gentileza, emocionando-nos com sua história desde os segundos iniciais do longa-metragem até a sua cena final.

Independente do seu gosto cinematográfico, se você gosta de uma boa história este é um filme que precisa ser assistido.

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