Ordem de Extermínio complementa trilogia Maze Runner com muita ação e qualidade

by - janeiro 19, 2018


Ordem de Extermínio é a primeira prequela da trilogia Maze Runner, lançada em 2012 pelo autor James Dashner, o mesmo dos livros anteriores. Nesta obra de ficção distópica são narrados acontecimentos pré-CRUEL, muito antes dos clareanos serem enviados ao labirinto. As chamas solares destruíram o mundo e levou parte de sua população a morte, mas os problemas dos sobreviventes estão apenas por começar quando um vírus suspeito e em mutação começa a ser disseminado, tomando conta da mente de seu hospedeiro com violência e dor até, por fim, a inevitável morte. 

Os amigos Mark, Trina, Alec e Lana estão convencidos de que ainda há uma forma de salvar o mundo e os humanos restantes, mas sofrerão muito durante essa jornada desesperadora pela sobrevivência não somente própria, mas de toda a humanidade, cercados ainda pela dúvida da origem desse tal vírus nomeado como Fulgor, mas certos de que há algo muito errado quanto a ele.

Para os fãs de Maze Runner, a pedida perfeita. Se ficaram algumas dúvidas na trilogia original sobre o efeito das chamas solares, como o Fulgor foi propagado e como foi a vida dos sobreviventes a estas catástrofes mortais, Ordem de Extermínio se encarrega de entregar as respostas. A ausência de personagens queridos como Thomas, Newt e Minho em ação não compromete a experiência de leitura, nos apresentando a novos personagens de idade um pouco mais avançadas, mas tão sedentos pela sobrevivência quanto os que já conhecemos.


Sua narrativa é inquietante, frenética, mas extremamente envolvente, proporcionando ao leitor um pouco do sentimento de aflição dos personagens que vivem momentos tensos entre a vida e a morte a cada segundo. Focado em seu protagonista, Mark, temos a visão de um jovem adulto com muitos conflitos, preocupado com o estado de sua família mais do que com o próprio, sonhando um dia poder viver em paz com sua amada, Trina, mas que tenta não ser esperançoso demais para não se decepcionar com o próprio destino.

O interessante em se ver este lado mais íntimo da personalidade mentalidade de um sobrevivente é a prova de que pessoas, apesar de todas as condições externas de loucura, epidemias e desastres naturais que assolam o mundo, ainda são apenas humanos que demandam romance e estabilidade. Tamanha sensibilidade humana ajuda a leitura a fluir de maneira mais sútil em meio as lutas sanguinárias, fugas e invasões que datam a principal parte do livro.

Os personagens mal possuem tempo para respirar, e mesmo quando conseguem algumas poucas horinhas para dormir, não são capazes de descansar a cabeça, sendo assombrados pelos fantasmas de seus próprios passados até mesmos nos sonhos. São esses sonhos que nos apresentam a um pouco antes dos acontecimentos de Ordem de Extermínio, quando as chamas solares começaram a afetar a Terra com seus ataques violentos que desregulou toda a natureza de nosso planeta.


O livro poderia ter optado seguir por uma linha cronológica para contar ambas histórias ou até mesmo ser dividida em dois livros, sim, mas não surtiriam o mesmo efeito e poderiam causar, na verdade, um sentimento de "encheção de linguiça" que não ficaria bem para o autor. O objetivo do livro é mostrar como o fulgor começou a ser disseminado após as chamas solares, enquanto a primeira tragédia é narrada por meio de flashbacks e sonhos para informar o leitor sem sobrecarregar o enredo. Uma saída criativa e eficiente a ser usada quando a muito a ser contado.

Assim, Ordem de Extermínio consegue manter um ritmo agradável que mescla a ação quase incessante com os sentimentos confusos de seres desolados que almejam unicamente o retorno de suas vidas a normalidade que há tempos não enfrentam. Como típica distopia, assusta ao nos colocar para pensar sobre essa narrativa se tornando realidade em nosso universo, e esse sentimento é extremamente necessário em tempos difíceis como os que vivemos, a fim de alertar a sociedade que é preciso evitar que cheguemos ao limite e nossas vidas, de fato, se transformem em narrativas de livros de ficção científica.

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