The Silenced critica o imperialismo japonês com suspense em internato

by - fevereiro 19, 2018


The Silenced (경성학교: 사라진 소녀들, literalmente "Escola Gyeongseong: As Garotas Perdidas") é um filme de suspense e mistério sul-coreano lançado em 2015, com direção e roteiro de Lee Haeyoung, estrelado pelas atrizes Park Boyoung e Uhm Jiwon. 

Durante a ocupação japonesa em Gyeongseong, 1938, uma garota adoentada chamada Juran/Shizuko (Park Boyoung) é transferida para um internato feminino que também funciona como sanatório, onde é realizado um programa especial de tratamento a doenças em que são utilizados remédios naturais a base de flores, embora algumas alunas recebam outros medicamentos mais intensivos, como drogas injetáveis.


Enquanto recuperam sua saúde, as garotas estudam e treinam seu desenvolvimento físico, buscando demonstrar o melhor de si mesmas e evoluírem para serem escolhidas para a viagem à Tóquio, prêmio prometido pela diretora às duas estudantes que obtivessem os melhores resultados ao longo do período de observação, como incentivo.

Juran percebe mudanças anormais em seu corpo e saúde, mas também se dá conta de que algumas estudantes estão desaparecendo misteriosamente, sem dizer adeus. Desconfiada das respostas da diretora aos casos, une forças a Yongdeok/Kazue (Park Sodam), sua nova amiga, e começam a investigar os acontecimentos regados à sumiços mal explicados, comportamentos agressivos, suspeitas ondas de adrenalina sobrenaturais e crises de convulsões encobertas, enquanto a direção da escola as tenta fazer acreditar que é tudo fruto da imaginação.


A construção da narrativa começa a se desenvolver pelo suspense do filme, e o que imaginamos ser revelado como mais uma história de um internato assombrado, típica de filmes de terror, acaba revertendo-se a uma onda de surpresas e um ótimo plot-twist que só deixa o filme ainda melhor.

Apesar da temática de terror ficcional, o filme é uma crítica ao imperialismo japonês e demonstra a resiliência de duas jovens coreanas que lutavam por sua liberdade. Durante o período de ocupação, o povo coreano foi forçado a não usar seu próprio idioma e a adotar nomes japoneses. No filme, embora respondam por nomes como Shizuko e Kazue, as garotas preferem, em segredo, utilizar seus nomes verdadeiros em sua comunicação. 


Essa amizade acaba sendo de importância intrínseca para todo o desenvolvimento da narrativa, que foca nas ações e comportamento da dupla pelos corredores sombrios da escola. Com a ambientação de época, a obra já garante seu A no quesito direção de arte, mas esta continua a surpreender ao longo do filme, trabalhada em harmonia a um belíssimo trabalho cenográfico.

The Silenced apela ao olhos desde a montagem do cenário aos ângulos que mais valorizam a cena e suas personagens. Para um thriller, dar a devida importância a estes elementos pode ser primordial para a relação filme-público, por ser a principal influenciadora de emoções e causadora de impactos em uma narrativa de suspense, que requer tensão. Não sobram dúvidas de que conseguiram realizar tal feito de forma mirabolante e com sua devida beleza, o que também é válido para o enredo.


Graças a este filme, Kim Minjae conseguiu o prêmio de Melhor Iluminação no 52nd Grand Bell Awards, confirmando a importância de se prestar atenção em detalhes tão mínimos como o efeito da iluminação natural sendo absorvida pela cortina e refletindo no rosto da personagem em cena e o contraste de sombra e luz em cenas internas.

As atrizes Park Boyoung, Park Sodam e Uhm Jiwon também conquistaram prêmios em 2015 e 2016, como atriz favorita, melhor nova atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente, para premiações locais como 15th Korea World Youth Film Festival, 16th Busan Film Critics Awards e 21st Chunsa Film Art Awards.

Aclamado pela crítica e pelo público, The Silenced está disponível na Netflix até 28 de fevereiro.

Veja também:

2 comentários

  1. Ahhhhh que filme!!! Adoro essas temáticas e sem dúvidas o filme já entrou para minha listinha para assistir. Mas vou precisar correr já que está quase saindo da Netflix, né?
    Só uma dúvida: como você descobre filmes assim???

    Bjss
    www.estupefaca.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Filipe!
      Eu acompanho a cultura coreana há quase uma década, então sempre busco filmes desse país na Netflix ou em outros sites para poder assistir. Adoro como o cinema deles consegue ser muito diferente do de Hollywood, que estamos mais acostumados, mas ainda tão bom quanto. É uma pena que algumas pessoas ainda tenham certo preconceito com filmes orientais, mas recomendo sempre que possível.

      Adorei The Silenced e tenho certeza que você também vai curtir, só corre lá que falta uma semana pra sair da Netflix, rs.

      Obrigada pelo comentário!
      Até mais!

      Excluir