Globo Repórter visita Coreia do Sul em especial sobre cultura, educação e artes

by - março 17, 2018


O Globo Repórter desta sexta-feira (16) transmitiu especial sobre a Coreia do Sul. Em visita ao país, o jornalista guia, Pedro Bassan, mostra a cultura agrícola, educacional, histórica e artística de um povo que, em poucos anos, conseguiu se recuperar de uma grande guerra nacional que dividiu a Coreia em duas e, ainda hoje, vive sob constante tensão e ameaças do Norte.  

A reportagem especial é aberta em Jeju com a história das "haenyeos", mulheres da ilha que são verdadeiras sereias coreanas que chegam a passar cinco horas por dia embaixo d'água para garantir o sustento de suas famílias, recolhendo frutos do mar que se transformam em alimento e renda financeira. 


Essas mulheres costumam começar seu trabalho no mar ainda jovens, na adolescência, embora uma minoria se converta à profissão apenas na vida adulta. As haenyeos enfrentam a correnteza e os movimentos da água diariamente, e algumas chegam a ficar cerca de 3 minutos sem respirar no mar, recolhendo o máximo de frutos que conseguem para, assim que deposita-los na superfície, voltar ao fundo. Em dias de fluxo muito movimentado, o trabalho é impossibilitado. 

Com a mudança dos tempos, é cada vez menos comum que as mulheres nascidas na ilha tenham interesse nessa carreira: agora, a maioria das moças do litoral passam a morar na cidade grande para estudar e conquistar empregos mais modernos enquanto, de volta aos mares que cercam Jeju, algumas haenyeos que continuam em atividade já estão por volta de seus 80 anos de idade, sendo mães e avós.


Pequenos restaurantes locais ajudam a movimentar dinheiro para as haenyeos, que colocam a mão na massa e transformam os frescos frutos do mar em alimentos que são vendidos a beira mar. A tradição de feiras "vivas" também continua firme no país, onde peixes selvagens são vendidos vivos, em bacias d'água e, após escolhidos pelo cliente, são novamente "pescados" pelas vendedoras que fazem o preparo do alimento para servi-lo de forma ainda mais fresca a seu consumidor.

Com tamanha abundância de peixes e frutos do mar, aos internacionais chega a ser difícil imaginar que há poucas décadas, no período de guerra, os coreanos chegaram a passar fome. Hoje, plantações mecanizadas de arroz garantem o grão que é base da alimentação coreana, assim como o chá, que traz benefícios à saúde como prevenção ao câncer, e o ginseng, raiz das montanhas que pode chegar a valer até mil dólares e tem efeito estimulante.


A vida no campo é uma alternativa para custear os estudos dos filhos na cidade, já que a vida em Seul, capital do país, é muito cara. Um casal teve que se afastar da urbanização após a perda do emprego do homem da família, realidade também muito conhecida pelos brasileiros. Em seu processo de reinvenção para garantir o sustento e os estudos da filha que continuou na cidade, o casal deu início a uma plantação de batata doce que, após colhida, é enviada por correio para a filha vender o produto em mercados da cidade.

Quando perguntados sobre sentirem saudades da filha que mora longe, o casal teve dificuldades em responder, já que essa é uma realidade muito comum para os coreanos: na transição para a vida adulta, é esperado que os filhos foquem em seus estudos e carreiras, mesmo que isso signifique a distância de sua família. Desse modo, a saudade se transforma em orgulho e certeza de que a criação está dando bons frutos - tão bons quanto a receita de batata doce com castanhas e mel que é ensinada por eles, cuja receita você pode conferir no site da Globo.


Para os sul-coreanos, o investimento na educação foi o que conseguiu reerguer o país no pós-guerra. Por lá, os professores são extremamente respeitados e valorizados, sendo uma profissão digna de orgulho e prestígio, principalmente para os que atuam na rede pública. O professor Henrique é brasileiro e ensina português em escolas sul-coreanas, comentando na reportagem que o tratamento que recebe por lá é diferente do que é vivenciado por professores no Brasil. O distanciamento dos alunos, no começo, é uma barreira, mas afirma que conforme os estudantes começam a entender as diferenças culturais entre os países, o recebem de maneira mais aberta, cumprimentando-o com acenos e olás informais em vez do arco de 90 graus comuns para cumprimentar mestres sul-coreanos.

A Helena, do canal Coreaníssima, também foi entrevista pelo Globo Repórter para falar sobre a educação do país. Como já esteve no Brasil várias vezes, compara as diferenças nos sistemas educacionais de ambos. Com educação, afirma estranhar que, no Brasil, alunos precisem pagar muito em escolas particulares para conseguirem ser aceitos em boas universidades, enquanto observa na Coreia do Sul que estudantes de escolas públicas possuem boas chances não só de entrar nas melhores universidades, mas de crescerem na sociedade.


Ainda sobre a educação, jovens estudantes coreanos de cultura brasileira comentam sobre a competição e pressão por bons resultados, consequência da rígida educação coreana que, muitas vezes, infelizmente, leva a problemas de saúde e até mesmo suicídios por estudantes que não aguentam as altas cobranças. Para descontrair, costumam visitar "norebangs", salas privadas de karaokê onde amigos se encontram para cantar e dançar suas músicas preferidas.

É deixada a brecha para abordar o K-Pop, indústria que movimenta bilhões por ano e faz parte da cultura do país. Em visita ao prédio da SM Entertainment, principal gravadora artística do país, Pedro Bassan entrevista o grupo NCT 127, administrado pela empresa. Neste contato, a reportagem relaciona-se ao bloco anterior, sobre educação, onde é perguntando aos integrantes sobre a existência de uma relação entre o alto empenho acadêmico dos estudantes e do empenho dos artistas para suas carreiras. Eles afirmam que sim, que sentem uma pressão muito parecida com a de seus tempos de escola, principalmente a cobrança por resultados, já que o mercado é muito movimentado e, portanto, competitivo, com muitos grupos que precisam vender seus produtos: suas músicas, suas artes.


Mesmo com tanta modernidade, sendo um país em extremo avanço tecnológico, a Coreia ainda carrega marcas de seu passado, como um palácio de mais de 600 anos localizado no centro do país como a prova de que é preciso se modernizar no tempo certo, sem perder a sua história de vida. Um túnel, que antigamente era apenas uma passagem que dividia dois reinos distintos, permanece em pé até hoje demarcando não só a diferença de espaços, mas de costumes e sotaques que divergem os dois extremos do túnel.

Há muito tempo, a disputa entre os reinos da Coreia deu origem ao esporte mais conhecido e prestigiado do país, o Taekwondo, que segue por cinco princípios: perseverança, integridade, cortesia, autodomínio e espírito indomável. O centro de treinamento localizado no centro do país mostra que o Taekwondo é muito mais do que um esporte, mas uma arte que pode ser aprendida por qualquer pessoa, faz bem a saúde e ainda reforça valores como coragem, humildade e responsabilidade.


Sendo um elemento cultural muito importante para o país, jovens de todas as regiões treinam e aprendem a arte que, para muitos, dá sentido à vida. Quando vestem seu uniforme, o dobok, levam a imagem da Coreia do Sul pelo mundo, com a bandeira no peito, refletindo o espírito do povo.

Durante uma entrevista, um caça é avistado sobrevoando a cidade, demonstrando que a tensão com o Norte continua constante. A reportagem aproveita para falar sobre as Olimpíadas de Inverno recém-sediadas na Coreia que, pelo menos durante sua curta duração, conseguiu reunir Sul e Norte, que competiram lado a lado representando a bandeira da península unificada. Recentemente, representantes políticos do Sul cruzaram a fronteira para conhecer Kim Jong Un, que afirma que o Norte está disposto a negociar o fim de seu programa nuclear.


Mesmo com tanta modernidade, sendo um país em extremo avanço tecnológico, a Coreia ainda carrega marcas de seu passado, como um palácio de mais de 600 anos localizado no centro do país como a prova de que é preciso se modernizar no tempo certo, sem perder a sua história de vida. Um túnel, que antigamente era apenas uma passagem que dividia dois reinos distintos, permanece em pé até hoje demarcando não só a diferença de espaços, mas de costumes e sotaques que divergem os dois extremos do túnel.

Há muito tempo, a disputa entre os reinos da Coreia deu origem ao esporte mais conhecido e prestigiado do país, o Taekwondo, que segue por cinco princípios: perseverança, integridade, cortesia, autodomínio e espírito indomável. O centro de treinamento localizado no centro do país mostra que o Taekwondo é muito mais do que um esporte, mas uma arte que pode ser aprendida por qualquer pessoa, faz bem a saúde e ainda reforça valores como coragem, humildade e responsabilidade.


No último bloco, nos apresenta a uma arte que é também uma das tradições mais antigas do país: a cerâmica coreana. Com técnicas passadas de geração em geração, seus mestres tem como desafio mesclar o antigo e novo para desenvolver seu próprio estilo em peças que não serão produções somente bonitas aos olhos, mas úteis a quem os adquirir, como bacias de arroz e xicarás de chá que carregam a história da Coreia em sua produção.

História de um povo que tem lutado e trabalhado muito para superar os horrores da guerra, vivendo ainda sob ameaças de ataques nucleares, mas capaz de seguir em frente, avançar e evoluir, mas sem se esquecer das belezas de seu passado, usando-o como fonte de força e energia. A reportagem se encerra com a seguinte citação: "Que o mundo volte a olhar - muitas vezes - para esta parte do planeta com esperança. E que as montanhas sagradas protejam a península coreana de Norte a Sul.


Com cerca de uma hora de duração, o programa especial conseguiu apresentar pontos diversos sobre a cultura sul-coreana, analisando com base histórica a sua cultura agrícola, o processo de modernização, o sistema educacional e a manifestação artística moderna e tradicional do país, mas deixa um forte gosto de quero mais quando, talvez pelos limites de tempo, acaba por abordar superficialmente sobre alguns assuntos.

Por exemplo, as chamadas para o programa gritam a indústria musical que movimenta 16 bilhões por ano, mas no corpo da reportagem não chegam a argumentar ou apresentar dados que comprovem o número vendido em seus comerciais. Ainda neste bloco sobre musica, comentam sobre a relação educação-treinamento artístico, mas não se aprofundam no assunto. Poderiam ter citado os treinamentos árduos dos artistas em sua fase de pré-estreia, mas a mensagem fica passada de modo superficial e, quem não tem conhecimento sobre o assunto, talvez possa não entender exatamente como se dá a relação citada. Repete-se quando ao falar sobre a cerâmica, o senhor entrevistado comenta que há uma história de 600 anos que envolve a tradição dessa arte, mas nada é falado a respeito dela. Caso tenha surgido o interesse, você pode conhecer mais sobre a cerâmica coreana por este edital de exposição da tradição que ocorreu em 2012 no MASP.


É muito interessante, entretanto, o modo como o especial do Globo Repórter deu prioridade a mostrar a vida no campo, o trabalho agrícola, enquanto muitas matérias sobre a Coreia do Sul preferem enaltecer a imagem tecnológica do país que tem como capital a cidade mais conectada do mundo, nos dando um olhar bucólico de uma Coreia que, embora o tamanho desenvolvimento em poucos anos, não se distanciou muito de suas origens, orgulhoso das mesmas.

Se você perdeu a reportagem ou quer revê-la, pode conferir o programa na íntegra pelo site do Globo Play, bastando apenas um login via Facebook para ter acesso ao vídeo.

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