Grease (1978) como retrato de uma época | Relembrando Filmes

by - junho 08, 2018


De 1978, é impossível falar de musicais sem citar Grease como um dos maiores filmes já produzidos para o gênero. Dirigido por Randal Kleiser e ambientado na Califórnia dos anos 50, mostra como era a juventude da época pelo ponto de vista de Danny (John Travolta) e Sandy (Olivia Newton-John), um casal de adolescentes que enfrentam os altos e baixos do início de um relacionamento. 

Em meio a esnobadas, indiretas e mudanças de personalidade para chamar a atenção um do outro, a música segue como o principal atrativo da produção, tendo Summer Nights e You're the One that I Want lembradas até hoje como alguns dos temas musicais mais marcantes da história do cinema mundial.


O enredo, por si só, não chega a ser grandioso: Durante as férias de verão, dois adolescentes se conhecem e vivem um romance rápido, mas marcante para ambos. Após se reencontrarem na escola, as coisas não fluem como o esperado e, orgulhosos, a narrativa se desenvolve em cima da (re)construção de seu relacionamento. Seria apenas mais um típico e esquecível filme adolescente se não fosse pela grande força que encontra, sem dúvidas, na impecável trilha sonora e belíssima produção.

Os detalhes da recriação do clima dos anos 50 também é um dos altos pontos do filme, seja na ambientação, figurino e caracterização dos personagens como, também, em suas ações, relembrando os "tempos da brilhantina" com bailes regados a danças no estilo Elvis Prelsey e repletas de hand jive ao som de Sha-Na-Na. Isso sem contar a incrível malemolência de Travolta - não poderia ser outro no papel.


O filme levanta, sem questionar, alguns pontos que podem incomodar o público atual, como o comportamento descaradamente machista dos estudantes, bullying, assédio e incentivo a sexo sem proteção, mas que justamente por explicitar tal conduta pouco recatada, retrata com exatidão a cultura jovem daquela época, regada a drogas, sexo e rock'n'roll.

Nos anos 50 destaca-se, ainda, a moda, com o surgimento da alta-costura, desenvolvimento da indústria cosmética e popularização de cuidados com a aparência. O filme mostra na prática ao acrescentar personagens sempre preocupadas com suas roupas e cabelos, mas engana-se quem pensa que a vaidade era "coisa de mulher": basta reparar que os homens andam com pentes nos bolsos para, a qualquer momento, ajeitar seus imensos topetes, que fica claro o interesse masculino em também ostentar certa perfeição estética dentro dos padrões da época.


Não me surpreende, entretanto, que um filme antigo e com conceitos sociais "ultrapassados" como Grease continue a ganhar popularidade mesmo em um cenário moderno. Pode, para os mais velhos, representar algo nostálgico para relembrar sua juventude, enquanto os mais novos se permitem a ter um gosto de como era a vida pré-internet ou até mesmo de sentir saudades de uma época que não viveu, para os retro-lovers da geração.

Grease segue e seguirá como um grande filme, seja por sua música lendárias ou pelas atuações icônicas que, com certeza, marcaram positivamente as carreiras de John Travolta e Olivia Newton-John nos cinemas e, claro, o coração de muitos fãs ao redor de todo mundo que, até hoje, se derretem com o romance adolescente que representou toda uma geração dos anos 50.

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