INX ganha ação judicial contra sua agência e a relação da vida real com Miss Hammurabi - e dramas em geral

by - junho 23, 2018


INX foi um grupo masculino de K-POP formado pelos cinco integrantes Junyong, Bokuk, Jinam, Sangho, e Win, da esquerda para a direita conforme a foto acima. Eles assinaram seu contrato de artistas com a gravadora NA Entertainment em dezembro de 2016, debutaram em julho do ano seguinte e, recentemente, entraram com uma ação judicial contra sua empresa, alegando que eram assediados e passavam fome. 

Segundo informações, sua agência reduziu ao máximo as exigências que um grupo idol pode solicitar e, assim, o INX não possuía gerente, transporte, aulas de canto ou dança, até mesmo os procedimentos cosméticos, maquiagem e cabelo saíam de seus bolsos, alegando que cuidar da aparência era uma responsabilidade dos artistas. Para poderem ensaiar, eles alugaram uma sala de aula de aeróbica para usarem como sala de prática, já que sua empresa não provia uma para eles, mas foram expulsos do local. 


Até mesmo a alimentação lhes era privada, conforme a empresa deixava de fornecer alimentos. "Você não vai morrer só porque perdeu uma refeição", alegavam internos da agência. Um funcionário chegou a questionar seus superiores quando os integrantes reclamavam que não tinham alimentos suficientes, e a agência respondeu demitindo-o. 

Os membros do INX também promoveram seu trabalho no Japão e em Taiwan, mas as condições eram severas mesmo em países estrangeiros: sua empresa não enviava guardas de segurança e os próprios membros tinham que ser responsáveis pelas multidões, o que resultou em diversos casos de perseguição e até assédio sexual sofrido pelos integrantes durante os eventos. 


Além da péssima administração, o CEO da agência ainda insultava e ameaçava os membros frequentemente, dizendo coisas como "se você não me ouvir, eu vou me certificar de que você fique acabado nesta indústria", "você é feio", "seus pais não te educaram corretamente" e "você parece alguém que precisa ser atingido na cabeça", além das constantes ameaças de multas e expulsões do grupo.

Mesmo com tantas condições adversas, os membros continuavam a promover, mas nem mesmo seus pagamentos eram recebidos. Cansados, entraram com uma ação legal e a 25ª Seção do Comitê de Assuntos Civis do Tribunal Central Distrital de Seul aprovou todas as reivindicações dos membros, cancelando oficialmente seus contratos. "O contrato foi cancelado porque a empresa havia violado vários acordos contratuais.", afirma a justiça.

Os membros já estavam separados desde o ano passado, mas ainda continuam amigos e se veem frequentemente. O integrante Junyoug, inclusive, já está em um novo grupo, Noir, que debutou recentemente com a faixa Gangsta. Visite a fanbase brasileira INX BR no Twitter para conferir eventuais novidades sobre a carreira de Junyong e dos demais integrantes.


Com tudo isso, recordo-me de um dos primeiros episódios de Miss Hammurabi, drama atualmente em transmissão pela emissora sul-coreana JTBC que, em um apanhado de casos sendo trabalhados, citou um grupo masculino que entrava em ação judicial contra sua empresa que os deixava passarem fome e mantinha treinamentos inumanos. 

Isso é apenas mais uma prova de como os dramas (e filmes, novelas, séries e qualquer tipo de produção ficcional) são retratos da vida real e possuem como função não só o entretenimento, mas a crítica a sociedade na qual estamos inseridos e todos os podres que esta pode acompanhar. A relação de proximidade temporal, entretanto, não deve ser levada como coincidência, mas como uma evidência do quão presente, infelizmente, o caso é para a indústria de entretenimento coreana.

Desse modo, dá-se a importância da mídia buscar abordar, sem romantizações, questões como abuso de poder e machismo, por exemplo, que são os principais pontos de denúncia presentes em Miss Hammurabi, que já está sendo considerado por muitos como um dos melhores dramas do ano. A criticidade importa e é necessária. 

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