A Princesa e a Plebeia é um bom novo clichezão de fim de ano

by - novembro 27, 2018


O nome pode até insinuar um live-action de Barbie: A Princesa e a Plebeia, e por maior que seja a semelhança, não é: estamos falando do novo filme de fim de ano original Netflix com direção de Mike Rohl (Shadowhunters), estrelado por uma dose dupla de Vanessa Hudgens, cercada pelos galãs contemporâneos Sam Paladino e Nick Sagar.

Uma duquesa (Elizabeth) prestes a se casar contra a sua vontade encontra uma confeiteira (Stacy) que é sua sósia perfeita e decidem trocar de corpo por dois dias, mesmo com personalidades extremamente opostas. O que elas não esperavam é que em um período tão curto iriam se apaixonar pelos homens que não faziam ideia de suas verdadeiras identidades, e o plano perfeito acaba se tornando um grande problema.


A crítica especializada pode sambar em cima do filme o quanto quiser, mas o Elfo Livre é do povo e, para filmes de Natal, eu digo que quanto mais clichê, melhor, e o longa não pecou em nada nessa fórmula com cheirinho de Sessão da Tarde - no melhor tom de elogio possível. Não, o filme não é perfeito, mas pela magia do natal, alguns descontos são permitidos e são esses pequenos "hm, não" que dão a graça da trama.

O principal grande erro (ou acerto, dependendo do ponto de vista) é a rapidez com que as coisas tomam forma na narrativa. Sem espaço para respiros, o enredo corre em uma velocidade surreal, com toda a história principal passada em três ou quatro dias, com perspectiva para o futuro. Pode-se adotar o termo "romance relâmpago", estilo Romeu e Julieta (mas sem suicídio), mas perdoa-se por ser Natal, a época dos milagres e, com um ser misterioso mexendo os pauzinhos certos por trás dos acontecimentos, fica fácil guiar o fio sem se perder em pormenores ou dando voltas desnecessárias.


A troca de corpos sempre é abordada de forma cômica em filmes nesse estilo, como já tivemos até mesmo no mercado cinematográfico nacional com Se Eu Fosse Você, e por mais clichê que seja é uma possibilidade de enredo que nunca perde a graça. Com a questão plebe e realeza em cena, é difícil se desvincular da animação da Barbie, mas a ausência do musical e o forte sotaque britânico forçado de Vanessa Hudgens tá ao filme um tom próprio.

As personalidades das garotas, como esperado, são exatamente opostas: enquanto uma só deseja ser livre, a outra gosta de se ver presa a listas de afazeres e responsabilidades. Cada qual acompanhada por um homem com o qual não se identifica romanticamente, viverá, na troca, a experiência de se apaixonar por alguém que tem super a ver com você - e sofrer com a ideia de que, daqui a dois dias, o encanto se quebrará e sua vida voltará ao normal.


É impossível não shippar os novos casais, embora filmes com identidades secretas, como Sierra Burgess é uma Loser, sempre me deixem com a sensação de que, quando descoberto, alguém vai surtar (com razão!) e acabar com todo clima, mas sabemos que no cinema os personagens parecem ser cercados por uma vibe zen que não os deixam se estressar como pessoas comuns e sensatas. Em um filme de Natal, então, isso se eleva ainda mais. 

A magia natalina ainda se manifesta em outras formas, como as boas ações sociais que são tomadas pelos personagens de corações tocados pela tristeza e pobreza de alguns, as boas cenas de beijos embaixo de um visco (o que sempre vai me lembrar a música Mistletoe, do Justin Bieber) e a típica decoração natalina do hemisfério norte, com pinceladas do branco de neve, pinheiros e luzes a torto e  direito. 


Embora no Brasil, com o nosso clima tropical, seja muito difícil copiarmos os elementos dessas festividades de fim de ano do norte, nada nos impede de valorizar os dois princípios que descrevem o Natal de Cristo: o amor e a fraternidade. Comédias românticas são bobas, feitas para puro entretenimento, mas nem por isso deixam de ser ricas em aprendizado e A Princesa e a Plebeia deu conta do recado.

Pode não ser o melhor filme do ano, nem o mais memorável para os natais futuros, mas passou sua mensagem dentro de tudo o que se espera de um típico clichê e vai garantir bons 102 minutos de diversão para quem se doar a conhecer a história de duas moças ao mesmo tempo idênticas e contrárias, mas que encontram nessa dualidade a força que precisavam para melhorarem suas vidas.

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