A cultura coreana em Para Todos os Garotos que Já Amei

by - março 04, 2019


O livro Para Todos os Garotos que Já Amei, de Jenny Han, ganhou muito sucesso no ano passado ao ser adaptado em formato fílmico lançado pela Netflix e rapidamente tornando-se uma tendência entre jovens e românticos incorrigíveis, dando fama aos astros Lana Condor e Noah Centineo, mas também colocando em pauta a cultura coreana.

A Coreia do Sul tem crescido e se popularizado ao redor do mundo pela Onda Hallyu, que inclui produtos como o K-POP, a música local, e os K-Dramas, as novelas do país, mas há muito mais para ser abordado quando o assunto é a cultura sul-coreana, e Jenny Han, como descendente, não peca ao retratar um pouco dos costumes e tradições de seus ascendentes. 

Na trama, a personagem central é Lara Jean Covey Song, a filha do meio de um casal formado por uma mulher coreana e um homem americano. Mesmo após o falecimento da mãe, o pai de Lara - e de suas duas irmãs, Margot e Kitty -, faz de tudo para que as filhas continuem a manter contato não só com os parentes por parte de mãe, mas com a cultura por eles cultivada.

É assim que o livro, mais do que o filme, dá espaço para que elementos culturais tão intrínsecos da Coreia do Sul apareçam e brilhem. São citadas as festividades tradicionais com todos os seus costumes, mas também as comidas típicas e os populares produtos de beleza do país, por exemplo, ao longo de toda a trilogia.

Ascendência coreana


Antes de tudo, o que faz o livro ter esse importante tom cultural sul-coreano é a ascendência das meninas, miscigenadas, que por nascerem e morarem nos Estados Unidos são sim consideradas americanas, mas que também honram as origens do lado materno de sua família na conservação de certas tradições, e inegavelmente em suas aparências:

"Somos as três irmãs Song. Éramos as quatro garotas Song com minha mãe, Eve Song. Evie para meu pai, mamãe para nós, Eve para o resto do mundo. Song é, era, o sobrenome dela. Nosso sobrenome é Covey, com a sílaba tônica no final. Mas o motivo de sermos as irmãs Song, e não as irmãs Covey, é que minha mãe dizia que seria uma garota Song para o resto da vida, e Margot acredita que nós também deveríamos ser. Todas temos Song como nome do meio, e nossa aparência é mais de Song do que de Covey, de qualquer modo, mais coreana do que caucasiana. Pelo menos, Margot e eu; Kitty se parece mais com nosso pai, tem o mesmo cabelo castanho-claro. As pessoas dizem que eu me pareço mais com ela, mas acho que é Margot, com as maçãs do rosto altas e os olhos escuros, quem se parece mais.".

Em algum momento do primeiro livro, Lara Jean se pergunta se a sua vida seria diferente, culturalmente falando, se a mãe estivesse viva: "Já perguntei a Margot como ela acha que seriam as coisas se nossa mãe não tivesse morrido. Será que passaríamos mais tempo com o lado coreano da família, e não só o Dia de Ação de Graças e o Ano-Novo? Ou... Margot acha que não faz sentido ficar imaginando. Nossa vida é essa; especular não vai mudar nada. Ninguém pode nos dar respostas.".

Lara Jean também sempre tenta honrar sua ascendência asiática nas festas de Halloween ou qualquer outra oportunidade de se fantasiar e fazer cosplay: a escolha sempre é uma personagem asiática, como Cho Cheng, da saga Harry Potter, mas não deixa de sofrer pelo preconceito enraizado de algumas pessoas acharem que ela sempre está vestida como algum personagem de mangá.

Idioma


No segundo livro, o pai demonstra sua preocupação com o afastamento das meninas da escola coreana, pois isso poderia tê-las ajudado a se manterem mais próximas de sua cultura, e Lara Jean afirma que, se passar na UVA, a sua almejada universidade, ela irá fazer o programa de aulas de coreano para aprender o idioma, deixando-o aliviado. "Sua mãe teria amado isso", diz. 

"Tem uma palavra coreana que minha avó me ensinou. Jung. E a ligação entre duas pessoas que não pode ser rompida, mesmo quando o amor vira ódio. Você ainda alimenta sentimentos antigos por aquela pessoa; sempre vai sentir carinho por ela. Acho que deve ser parte do que sinto por Genevieve. É por causa do jung que não consigo odiá-la. Estamos unidas.".

Tradições


O segundo livro começa com as irmãs Song se preparando para passar o Ano Novo em estilo coreano com o lado oriental de sua família: as vestimentas são os tradicionais hanboks, dados a elas por sua avó, trazidos diretamente da Coreia, e mesmo o comportamento é respeitoso, com a honra ao costume de tirar os sapatos antes de entregar na casa de alguém, se curvar para os mais velhos, ter a sorte desejada e receber dinheiro como presente pelo Ano Novo. Arroz, sopa e bolo são oferecidos para a boa sorte, assim como o bolo de ervilha nada apetitoso, mas que é necessário comer apenas um.

Por não serem "coreanas completas", segundo as palavras de Lara Jean, elas são um pouco deixadas de lado, embora sejam as únicas jovens devidamente vestidas com as roupas tradicionais na casa: durante a refeição, todos ganham um prato de kimchi exceto pelas meninas, pois a tia delas acha que elas não gostam.

Alimentação


No primeiro livro, Lara Jean cita que seu pai costuma fazer comida coreana nos dias de folga: "Não é exatamente autêntica, às vezes ele apenas vai até o mercado coreano e compra acompanhamentos prontos e carne marinada, mas de vez em quando liga para nossa avó pedindo uma receita e tenta fazer.". A protagonista cita duas comidas típicas do país que foram preparadas nessa ocasião: o bo ssam, uma paleta de porco fatiada e enrolada em alface, e o kimchi, que é uma conserva de acelga apimentada.

No segundo livro, o pai prepara galbi jjim, costelas refogadas coreanas feitas com carne de galbi. Margot, a filha mais velha, sugere que o pai faça aulas de culinária coreana caso eles viagem para a Coreia algum dia. No terceiro livro, Lara Jean recebe a possibilidade de fazer aulas de doces coreanos, unindo a sua aproximação com sua cultura materna ao seu amor pela confeitaria.

Enquanto Peter dava carona a Kitty e Lara, ele tem a chance de provar pela primeira vez o iogurte coreano e se apaixona pela bebida, como esperado: é maravilhosa! Essa foi a única menção transferida para o filme, que acabou se transformando em Yakult - e fez as vendas da bebida láctea subir absurdamente. Imagine se tivessem dado ênfase aos outros produtos, então? Perderam a oportunidade.

Dramaturgia


O livro não chega a citar nenhum drama em especial, mas Jenny Han não deixa de falar das novelas coreanas, e nem poderia já que são tão importantes para a cultura de seu povo. Mas não pense que são só os coreanos da história que curtem sentar para maratonar um bom drama: o personagem Josh, vizinho de Lara Jean, um dos destinatários das cartas e namorado de Margot, a irmã mais velha, convive com a família desde quando era criança e aprendeu a gostar não só da comida, mas também das novelas do país. "Quando minha avó vem visitar, ele não sei do lado dela. Até vê novelas coreanas com ela", comenta Lara Jean ainda no primeiro livro.

Produtos de beleza, vestimentas e papelaria


As máscaras faciais  e esfoliantes coreanos estão se tornando uma frequência em todo o mundo, e Lara Jean não ficaria distante disso: os produtos de beleza importados da Coreia são seus preferidos e, sempre que possível, os utiliza. BB cream, uma das mais populares marcas do mercado, é citada no segundo livro. Artigos de papelaria e alfinetes de cabelo também fazem a felicidade da protagonista.

As vestimentas também são citadas e não só por Lara Jean, mas por Peter: no último livro, o namorado está cismado pelas meias coreanas de Lara, enviadas a ela por sua avó, e deseja ter uma com estampa de tigres para si. "Tigres são másculos", ele diz. Lara Jean, para implicar, diz que a Coreia não faria dos números dele, o que tem uma ponta de verdade, já que é difícil encontrar numerações altas na Coreia devido aos padrões do país - que felizmente está começando a ser flexibilizado.

Viagem à Coreia


No terceiro livro, as irmãs Song ganham uma viagem à Coreia e a empolgação é tamanha: mesmo que o trajeto não seja narrado, as conversas sobre essa futura tour pelo país traz algumas informações sobre a cultura local, como as clínicas de cirurgia plástica, bolos cremosos, programas sem legenda, passeios por Jeju, Busan, templos budistas e feiras a céu aberto. Seria demais pedir um conto, ao menos, para lermos como foi essa viagem?


Em resumo, os livros têm muito a ensinar sobre a cultura coreana, muito bem representada em diversos aspectos que conseguem capturar sua amplitude, mas sem deixar forçado, inserindo-a naturalmente no cotidiano das personagens. As próprias atrizes não possuem ascendência coreana: Lana Condor, a Lara Jean, é nascida no Vietnã, enquanto Janel Parrish, a Margot, é havaiana, e Anna Catchcard, a Kitty, é canadense.

Infelizmente, muito da questão cultural minimamente colocada nos livros por uma autora de descendência coreana, em seu local de fala, foi deixada de lado quase que completamente no primeiro filme e, dificilmente, será aproveitado na sequência que está atualmente em desenvolvimento. O que é uma pena. Mas os livros sempre estarão disponíveis para a leitura, não é mesmo?

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