Shazam! é divertido e funciona perfeitamente bem com o novo público do herói

by - abril 12, 2019


Shazam! finalmente chegou aos cinemas! O mais novo filme da DC teve sua estreia na última quinta-feira (04) e já é um sucesso de bilheteria em todo o país com a aguardada narrativa de Billy Batson, um órfão de 14 anos que recebe habilidades poderosas do mago Shazam, mas precisa aprender a lidar com as responsabilidades que as acompanham - e com o seu novo corpo adulto.

Para começar, o fato de apresentar uma criança no corpo de um adulto é um dos pontos mais altos da obra que pode ser erroneamente taxada como "boba", mas só está sendo muito realista em relação ao contexto apresentado: que maturidade esperar de um adolescente que, de repente, se transforma em um tipo de Super Homem com a cueca para dentro da calça? A inocência e a diversão tornam-se essenciais neste enredo e marcam sua impecável presença na trama.


É com um ritmo muito divertido que o personagem, com o apoio de Freddy Freeman, um dos colegas do lar adotivo, descobre sobre seus poderes e deveres, mas também tira proveitos que correspondem com a sua verdadeira idade e maturidade, divertindo-se verdadeiramente ao encarar seu novo eu "heroico" ao contrário de uma já conhecida rejeição muito abordada em outros filmes de heróis, que negam a si mesmos e suas novas obrigações.

Mesmo encarando sua situação com bom humor, Batson atende ao chamado quando as responsabilidades batem a porta. Ainda que não esteja completamente preparado para enfrentar os perigosos trazidos por vilões muito mais experimentes que ele, não se recusa a incorporar toda a capacidade de Shazam!, que é ainda o inteligente acrônimo para os nomes dos seis personagens mitológicos cujas habilidades, como força, rapidez e poderes mágicos são passadas ao jovem: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio. 


Com esta premissa, o longa traz já conhecidos elementos da mistura de ficção científica, ação e fantasia comuns de tantos outros filmes de heróis, mas destaca-se mesmo é por esta temática familiar, de protagonismo infantil e na qual os humanos comuns ao redor do herói ganham tanta importância quanto o próprio, sendo parte fundamental de seu desenvolvimento.

Cada criança do lar, com sua devida personalidade e singularidade, inicialmente apresenta uma espécie de confronto ao personagem principal, como a língua solta de Darla, a mais nova, ou a inteligência de Mary, a mais velha, que lentamente deixam seus papéis de desavenças para se tornarem cúmplices essenciais para a jornada do herói enquanto debate, ainda, com a pauta da pluralidade nas configurações de famílias no mundo contemporâneo em uma visão intimista.


Ao colocar o personagem central em diálogos com Freddy Freeman, levanta-se o astral do filme enquanto conversa com os jovens atuais por meio de uma intertextualidade com a vida real apresentada neste "ajudante" ao estilo nerd loser fanático por super-heróis, assim como muitos presentes na sala de cinema, e inserir à narrativa a presença digital de Shazam! que se torna uma tendência no YouTube.

Essa conexão com o ambiente concreto dos novos fãs de Shazam! torna-se a chave para que o filme solo de um herói até então desconhecido por essa geração contemporânea, conectada e muito curiosa, mas que não viveu a febre da telessérie animada da década de 70, funcione tão bem com seu novo público. E funcionou. 


A fotografia do filme dá um bônus ao projeto por sua capacidade de intensificar as emoções sentidas pelo público com um bom apelo visual, sendo um filme predominantemente divertido, mas com momentos de picos emocionais que são muito bem controlados e enriquecidos por meio de um bom ângulo e ambientação, como na cena registrada pela imagem acima que, desde o trailer, retira suspiros profundos dos espectadores.

Dirigido por David F. Sandberg e protagonizado pelo hilário Zachary Levi na versão poderosa do super-herói novato, o filme é sem dúvida divertido e muito eficaz ao reapresentar o personagem ao novo universo da DC Comics, com direito temáticas atuais de relevância sendo debatidas ao conversar diretamente com seu público alvo e garantindo, ainda, um bom início a nova jornada do herói nos cinemas.

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