Special: nova série aborda representatividade e amor próprio com leveza e bom humor

by - abril 16, 2019


Special, série produzida, escrita e protagonizada pelo comediante Ryan O'Connell, foi lançada na Netflix na última sexta-feira (12) e conta a história de Ryan, um jovem gay com paralisia cerebral que começa a buscar sua independência em uma jornada de autoconhecimento que abordará preconceitos, mentiras e amor próprio.

Baseado no livro de memórias de O'Connell, a série tem sido aclamada nas redes sociais por sua representatividade e mensagem positiva passada sob muita sutileza e bom humor, com uma narrativa sensível sobre os primeiros passos de Ryan para fora do berço, começando por seu novo trabalho como estagiário em um site comandado por uma chefe exploradora que só se preocupa com  o número de visualizações. Custe o que custar.


Os primeiros contatos com as injustiças da vida adulta deixam-o sem reação, criando o clima perfeito para que um Ryan despreparado se envolva em um mar de mentiras somente para se encaixar no novo ambiente onde o preconceito fala tão alto a ponto de ser internalizado em seu ser que, afetado pelas forças exteriores, é incapaz de se amar e se aceitar. Depois de sua luta para sair do armário como gay, precisa sair do armário como PCD, mas a tarefa não será fácil.

Gay, sua sexualidade também será trabalhada neste desenvolvimento, revelando a série como uma comédia adulta envolta com muita leveza, divertida sem ser forçada, enquanto quebra ainda com o tabu referente a sexo e sexualidade em deficientes, abordando o assunto lúdica e eficientemente ao debatê-lo por um meio tão abrangente como o entretenimento, levando o público a reflexões inconscientes


Com sorte, Ryan poderá contar com a ajuda de Kim, sua nova colega de trabalho que desenvolverá um papel importante neste processo de aceitação, sendo ela a responsável pelo setor de body positivity da redação, no papel de mulata e curvilínea, em suas próprias palavras, que também sente a necessidade de revestir-se contra o preconceito, colocando em pauta como precisa trabalhar em dobro para garantir seu espaço.

Dentre os secundários, a personagem é de longe a mais interessante e verdadeira, embora também esconda alguns detalhes sobre si mesma que vão se manifestando durante os episódios. Nela, expõe-se ainda a importância das relações amigáveis e, principalmente, sobre regá-las com confiança, pois esta é a base de tudo. E Ryan aprenderá sobre isso, estendendo um pouco de seus novos conhecimentos ao público que também ganha a oportunidade de se conscientizar sobre suas próprias ações com base nas atitudes dos personagens. 


Um ponto de vista interessante ainda dentro da narrativa representativa é o da mãe de Ryan, mostrando como as progenitores tornam-se tão dependentes de seus filhos PCDs como eles delas, a chamada codependência maternal, a ponto de não conseguir desempenhar outro papel na vida a não ser o de ser mãe, sentindo-se incapaz de operar qualquer outro lado de si mesma por estar acostumada a girar sempre ao redor de sua criança, e nunca de si mesma.

Quando o filho começa a desenvolver sua independência e vai morar sozinho, apavora-se com as possibilidades pessimistas pelos movimentos reduzidos do filho, enquanto este se preocupa com o que será de sua mãe sem um sol para orbitar e, como esperado, as tentativas são desanimadoras. Ela também passará por um processo de autoconhecimento e desenvolvimento de autonomia ao longo da trama.


Com assuntos tão relevantes, a série espirituosa torna-se um must watch para quem curte boas narrativas com muita representatividade e boas histórias a serem contadas. A primeira temporada do programa já está disponível na íntegra pela Netflix, completa em 8 episódios de apenas 15 minutos cada, sendo a pedida perfeita para maratonar assim que puder.

Embora o episódio final deixe um arco aberto para novos episódios, ainda não foram divulgadas informações referentes a uma segunda temporada. A divulgação por parte da Netflix, entretanto, anda bem escassa e um público alto é essencial para a continuidade do programa - que, tão necessário e reconfortante como este é, merece mais algumas temporadas

Veja também:

0 comentários