Sete Minutos Depois da Meia-Noite é mais um bom drama fantástico

by - maio 17, 2017


Conor (Lewis MacDougall), um garoto de 12 anos que enfrenta diversos contratempos em sua vida, tais como o câncer em estágio terminal da mãe (Felicity Jones) e a presença detestável da avó, tem seus desordenados sentimentos animizados em frequentes aparições de uma árvore gigantesca e um pouco agressiva que lhe conta histórias com o intuito de ajudá-lo a encarar sua realidade.

Baseado no livro homônimo de Patrick Ness sob as ideias de Siobhan Dowd, escritora que lhe concebeu a trama em seu leito de morte, Sete Minutos Depois da Meia-Noite ("A Monster Calls", no original) foi publicado pela primeira vez em 5 de maio de 2011. A versão cinematográfica dirigida por J. A. Bayona veio cinco anos mais tarde, com premiere no 2016 Toronto International Film Festival e estreia brasileira em 5 de janeiro de 2017. Encontra-se agora também no catálogo da Netflix, por onde eu conferi.


Dramas infantis sempre dão um bom enredo, isso já é um fato. Afinal, o que pode dar errado em misturar um pouco do lado amargo da vida à inocência e doçura de uma criança? De acordo com Sete Minutos Depois da Meia-Noite, nada. O longa carrega essa pegada estável da força dos sonhos e da imaginação, que junto a uma fotografia mais sombria chega a lembrar algo estilo A História Sem Fim ou até mesmo as produções de Tim Burton, o que é bom.

O time de atuação não fica muito atrás. Lewis MacDougall, que já havia trabalhado em Peter Pan (2015, filme que considero um fiasco, aliás), consegue entregar grandes emoções e expressões faciais marcantes mesmo com tão pouca idade, apenas 14 aninhos. Não obstante o drama familiar, precisa lidar ainda com bullying dentro da escola, enfrentando valentões diariamente.


Em meio a tanto caos, trava uma parceria perfeita com a grande árvore dublada em excelência por Liam Neeson e sua voz intensa que casa rigorosamente com as afeições e feições do monstro/amigo que não tem lá os melhores efeitos visuais, defeito que pode quase passar despercebido após uma sequência de diálogos bem trabalhados que manifestam.

Estes são não somente a maior parte da trama, mas as mais emocionantes. As conversas e ações da dupla enfatizam o desespero, amadurecimento e aceitação que a história do protagonista cobra, assim como o apoio ou empurrão grotesco que o companheiro peculiar obriga-se a proporcionar ao pequeno humano.


Felicity Jones, atriz em grande ascensão que já participou de grandes filmes como A Teoria de Tudo (2014) e Rogue One (2016), demonstra mais uma vez motivo para tanto destaque que vem recebendo da mídia ao atuar uma paciente de câncer terminal que, além de lidar com a própria doença, precisa dar apoio ao jovem filho que está prestes a ser deixado para trás. É difícil não olhar em seus olhos durante as cenas e não sentir dor ou compaixão. Seu trabalho foi ótimo, assim como a obra em geral.

Certamente o drama fantástico não é algo voltado só para crianças, apesar da sua intenção original a profundidade abordada permite que seja apreciado por públicos de maiores idades, estejam estes acompanhando os menores ou apenas degustando um bom filme com uma boa história. Sete Minutos Depois da Meia-Noite, portanto, merece 1h48m da sua atenção.

Confira o trailer:

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4 comentários

  1. Ual, achei quer era terror quando vi o poster e passei longe, porém agora quero assistir, obrigada pela dica ♥
    Beijinhos ;*
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    1. De nada, espero que goste tanto quanto eu amei. <3

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  2. Eu comprei o livro achando que era algo de suspense/mistério, mas quando comecei a ler e percebi como realmente era não me decepcionei!
    O livro é emocionante, eu adorei e acho que já passou de hora de eu assistir o filme. Ótimo post! (seu blog é massa).

    https://blogabstraindoideias.blogspot.com.br/

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    1. Não tem como se decepcionar, é uma história tão linda. Mesmo não sendo de suspense ou coisa do tipo, é tocante e fica aquela expectativa gostosa de "o que o Connor vai fazer?". <3

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