O Mágico de Oz é cativante e atemporal

by - novembro 21, 2017


O Mágico de Oz é, sem duvidas, a mais famosa história infantil da literatura americana. Escrito por L. Frank Baum e lançado pela primeira vez em 1900 pela editora George M. Hill Company, nos Estados Unidos, é considerado o primeiro conto de fadas genuinamente americano.

O romance infantil narra a história da pequena Dorothy e seu cachorro Totó, do Kansas, que são levados por um tornado para a estranha terra de Oz, onde conhecem o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde. Juntos, os cinco amigos aventurarão-se em uma longa viagem de autodescoberta em busca de vencer seus medos e, por fim, voltar para a casa.

A versão que li foi lançada pela Editora Zahar em 2013, em uma edição bolso de luxo para a coleção "Clássicos Zahar", que traz a história original pela tradução de Segio Flaksman em capa dura e um belíssimo acabamento, incluindo páginas que imitam a famosa estrada de tijolos amarelos por qual os heróis do livro passam.


Apresenta ainda cerca de 50 ilustrações originais de W.W. Denslow, que recebeu elogios do público e da crítica por sua arte inovadora, tornando-se um cartunista e ilustrador muito famoso. Era igualmente aclamada a fantasia, verdade e integridade dos personagens criados por Baum, autor que passou por muitas profissões antes de acreditar em suas habilidades como escritor - quais foram incentivadas pela sogra, principalmente.

Sempre fui muito curiosa pelo O Mágico de Oz: ouvia falar, conhecia a história, era apaixonada pela doçura de Dorothy e Totó, mas nunca havia lido o livro antes. Dedicar finalmente olhos e mente nesta obra me trouxeram enorme felicidade nos momentos de leitura - estes que passaram tão rápido, com um simples piscar, de tanto que entretêm, diverte e cativa.

Sem sombra de dúvidas, uma história que agrada a todas as idades, atemporal, não sendo capaz de ser esquecida ou apagada pelo surgimento de novos títulos e novos públicos. A simpatia e inocência dos personagens que buscam pela mais simples felicidade é belíssima, ainda mais escrita de um modo tão sonhador, ensinando sobre a vida e amadurecimento em meio a evolução dos viajantes de Oz que passa tão sútil que nem eles mesmos percebem o quanto cresceram. 


Durante este pouco mais de um século desde o lançamento da obra literária, o clássico infantil recebeu diversas adaptações, principalmente para o cinema. A primeira estreou apenas oito anos após a publicação do livro, em 1908, pelo nome de The Fairylogue and Radio-Plays e contando inclusive com a participação de Baum.

Este filme de duas horas de duração era uma mistura de atores reais e slides de lanterna mágica, embora lotasse sessões, sofreu por seu orçamento e é considerado um fracasso, , mas ainda considerado um trabalho notável para a história do cinema, sendo o primeiro filme original a ser documentado. Este, ao contrário do livro, perdeu-se com o tempo e não mais é possível assisti-lo, infelizmente. Entretanto, o roteiro continua salvo, assim como algumas poucas fotos como a acima.

A versão cinematográfica mais conseguida, entretanto, é a consagrada de 1939, que leva o mesmo nome que o livro e foi produzida pela Metro-Goldwyn-Mayer, com o elenco maravilhoso formado por Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley e Bert Lahr. O musical é considerado "culturalmente, historicamente, visualmente e esteticamente significante" pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, além de ter sua cação Over the Rainbow apontada pelo American Film Institute a melhor canção de filme da história, além do filme ser uma das maiores obras-primas da história do cinema.


Engana-se, entretanto, que a história termina quando Dorothy e Totó retornam para a casa (não, este não é um spoiler, por favor): The Marvelous Land of Oz é uma continuação que foi publicada em 1904, que narra o retorno Baum, enquanto vivo, escreveu outras treze histórias sobre Oz e suas personagens, embora poucas contem com a participação de Dorothy.

Após sua morte, Ruth Plumly Thompson assumiu as publicações, lançando mais dezenove livros. Seu estilo, entretanto, seguia pela linha mais tradicional dos contos de fadas, com reinos e princesas, diferente do autor original. Muitos outros escritores passaram pela saga também, como John R. Neill e Jack Snow, sendo o segundo um estudioso de Baum. Se contarmos com os não-canônicos, alternativos e referências, levaríamos horas e muito material seria deixado de lado - além, claro, das edições belíssimas que são lançadas de tempos em tempos.

Oz, com certeza, deixou sua marca no tempo e viverá entre nós por mais tempos do que podemos imaginar: as gerações futuras continuarão amando Oz assim como nós o amamos tanto quanto as gerações passadas. Não precisamos manter uma missão de resgatar seus valores e importâncias: seu valor é tão independente que faz o trabalho por si só.

Ficha Técnica
Autor: L. Frank. Baum
Título original: The Wonderful World of Oz
Título adaptado: O Mágico de Oz
Gênero: Literatura infanto-juvenil norte-americana
Lançamento no Brasil: 2013
Editora: Zahar
Páginas: 224

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