Com Amor, Simon tem suas diferenças com o livro mas ainda é uma excelente adaptação

by - março 25, 2018


A adaptação cinematográfica de Simon vs A Agenda Homo Sapiens finalmente estreou nos cinemas brasileiros. Sob novo nome, "Com amor, Simon", do inglês bem literal "Love, Simon", o filme traz uma série de divergências quanto ao texto original de Becky Albertalli, mas é tudo tão bem contextualizado que você se apaixona novamente por Simon com essa nova visão de sua história.

Dirigido por Greg Berlanti, o mesmo produtor de séries como The Flash, Supergirl, Arrow e Legends of Tomorrow, nos apresenta nessa narrativa um pouco sobre a vida de Simon Spier, um garoto de dezessete que ainda vive dentro do armário tanto para seus pais como para seus amigos. Nessa fase cheia de mudanças, conhece um rapaz com quem desenvolve um relacionamento anônimo e virtual, mas em meio aos longos e-mails e conversas sobre Oreo, tenta descobrir a identidade de seu amado confidente.


Simon não está sozinho: Leah, Nick e Abby são seus melhores amigos e, ainda que sequer desconfiem de seu segredo, o amam apesar de tudo. Como bom drama, desenrola algumas intrigas no decorrer da história, e Simon precisará de muita força e coragem para provar seu amor e lealdade às pessoas ao seu redor. 

Natural de filmes adaptados de livros, algumas mudanças são necessárias para que a trama converse melhor com o novo formato no qual está sendo transmitida, mas não me incomodo em nada com elas. Quando a história mudou de nome para os cinemas, imaginei que as adaptações para a grande tela fossem ser tão grandes e divergentes da obra original que exigiam um novo título para diferenciá-las, mas acabou que as coisas nem são tão diferentes assim.


O que mais muda é o sentimento. A carga emocional do livro é muito leve. Em nenhum momento você sente vontade de chorar, pois a história não te dá brechas para tal. Já o filme se apresenta muito mais pesado, apelando para o lado emotivo do público, com alguns diálogos extras que tem como único intuito fazer seus espectadores chorarem.

Todas as mudanças feitas no enredo original são mirando no drama típico de cinema. Assim, vemos uma leve reformulação na história de Leah, melhor amiga de Simon, que se faz muito mais presente no cinema do que no livro, talvez até mesmo pela escolha da atriz, muito famosa desde seu trabalho como Hannah Baker, em Os 13 Porquês.


Não só ganha um grande tempo adicional de tela, mas um novo interesse romântico que promete incrementar e muito para o desenvolvimento das tramas que levam ao ponto dramático da história. Alguns outros personagens como Martin, Nick, Abby e até mesmo Blue também entram na dança, mas o resultado acaba sendo muito bom. 

Todas essas mudanças são muito bem contextualizadas e, ainda que com suas divergências com o livro, você consegue notar alguns detalhes importantes que não se deixam passar batidos, embora menos explícitos, como o amor e vício por Oreo, os desenhos de Leah, a paixão por Hora de Aventura e os amigos viciados em animes. Permanece intacta a confusão mental do leitor em seu jogo de ligar pontos para descobrir quem diabos é Blue.


Enquanto Simon sofre com seu quebra-cabeça quase impossível, diversos possíveis caras começam a tomar conta de sua mente e, a cada nova possibilidade, o Blue que vemos digitando as mensagens toma uma nova forma, um novo personagem, um novo ator, uma nova voz, tudo para nos guiar a fantasiarmos com Simon sobre a identidade daquele garoto que se esconde tão bem.

Para quem já leu o livro, as coisas ficam bem óbvias, mas confesso que senti um certo medo, em tal ponto do filme, de que as coisas tomassem um rumo diferente da história original. Meu namorado, que nunca leu o livro, ficava o tempo todo me dizendo nomes de possíveis pretendentes a espera de um spoiler que acabasse com todo o suspense, mas o deixei descobrir sozinho com o final do filme. Até então, tudo te influencia a mudar de opinião frequentemente, e isso é incrível.   


Tão incrível quanto a trilha sonora do filme. A música é um trabalho de Rob Simonsen, que consegue trabalhar com um ótimo leque atemporal, apresentando clássicos dos anos 70, com "Someday at Christmas", de Jackson 5, até gravações mais recentes como "No", de Meghan Trainor, faixa do seu álbum Thank You lançado em 2016. Independente do seu gosto musical, você vai sair satisfeito com as escolhas feitas a dedo.

Tudo isso colabora a criar aquele clima bem Simon que só quem leu o livro consegue entender, e a incrível atuação de Nick Robinson, que já amo desde Jurassic World (2015) e A 5ª Onda (2016), só aumenta a fidelidade com o personagem com o personagem protagonista e todo o clima de incertezas e adaptações que o cercam. 


Com amor, Simon é um excelente filme, tanto como conteúdo independente quanto como adaptação literária. Transmite bem os dramas adolescentes com seus relacionamentos amorosos, amistosos e familiares, além da mensagem sobre homossexualidade que, em pleno 2018, ainda precisa ser discutida. Quanto a temática, o filme nos traz questionamentos importante: por que só os homossexuais precisam se assumir? Por que ser hétero é o padrão? 

Tendo lido o livro ou não, gay ou não, Com amor, Simon é um filme para ser assistido e lido por todos que gostem de uma boa história de amor adolescente e queiram apreciar um filme que consegue levar um ritmo gostoso e ainda levantar um ponto atual, com ótimos argumentos e de forma não intrusiva, mas muito romântica e sensível.

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4 comentários

  1. Respostas
    1. Oi, Lari! O filme é ótimo mesmo, dá uma chance pra ele nos cinemas que tenho certeza que vai amar!

      Beijos

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  2. Adorei suas reflexões sobre a adaptação do livro, ainda não li o livro, mas pretendo ler antes de assistir. O enredo me chamou bastante a atenção.
    Beijos Bella Página

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    1. Oi, Letícia.
      Obrigada! Fico muito feliz que tenha gostado do que escrevi sobre a adaptação. Espero que também goste do livro e do filme quando ler e assistir. A história é muito linda e contada de um jeito interessante que te pega pra valer, sabe? Vai adorar!

      Beijos

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