Conheça 'Pule, Kim Joo So', livro nacional inspirado em dramas coreanos

by - maio 09, 2018


Inspirado em histórias de dramas coreanos, Pule, Kim Joo So é o mais novo livro de Gaby Brandalise, brasileira que traz muita inovação em sua escrita metalinguística, criativa e extremamente cativante. Como viciada em dramas e em literatura, me senti obrigada a conferir essa mistura e o resultado foi muito melhor do que eu imaginava.

Marina vive em Curitiba, So em Seul, e nunca sonharam que se conheceriam. Mesmo com a enorme distância física, cultural e mesmo linguística, compartilham a terrível dor de não se sentir no controle da própria vida, buscando, de algum modo, conseguir escapar dela. Em eventos fantásticos e misteriosos, suas histórias e caminhos se cruzam e os protagonistas encontram a oportunidade de ajudarem mais do que um ao outro, mas a si mesmos. 

A tridimensionalidade dada pela autora a cada personagem é o principal ponto para o desenvolvimento da obra. Ambos Marina e So são profundos e vivenciam suas crises em extremos nervosos e pouco caricatos, dando uma certa "realidade" a obra mesmo em seu cenário extremamente fictício e fantasioso.


Temos, então, uma mulher forte e destemida que, ao mesmo tempo, é um poço de incertezas e inseguranças pessoais, mas que sabe se defender, fugindo portanto dos estereótipos da donzela indefesa. Ao seu lado apresenta-se um homem de características semelhantes, desmistificando a "masculinidade intocável" durante sua luta sensível e dramática pela recuperação do controle de sua própria vida.

Ganham força, ainda, ao conversaram metalinguisticamente com a realidade, em uma espécie de "quebra da quarta barreira" convertida a literatura quando os personagens da obra são roteiristas e personagens que, em certo ponto, se fundem, se confundem, e começam a renegar as posições que lhe são dadas, criando voz e autonomia dentro da narrativa. Não há uma linha que separe a ficção da realidade e leitores que também são escritores podem se sentir muito tocados e representados pelas situações narradas.

Entretanto, não se nega que a semelhança com os dramas coreanos televisivos é, na verdade, o que vende o livro. Novidade no mercado editorial, principalmente no cenário brasileiro, Brandalise brinca com a metalinguagem e intertextualidade em seu texto de forma incrivelmente autoral e cativante, transformando este jogo no principal atrativo de sua obra.


O novo queridinho literário dos fãs de dramas coreanos não vem por menos: não só passado na conexão Brasil-Coreia, aspecto que dá a noção física dos espaçamentos e da representatividade cultural coreana em uma literatura tão distinta como a nossa, anexa ao seu enredo alguns elementos da dramaticidade televisiva típica daquele país, com grandes reviravoltas, gigantesco apelo emocional, personagens melodramáticos e excelente uso do deus ex-machina.

Não é necessário, entretanto, ser fã de dramas coreanos para conseguir aproveitar a obra, mas acredito que a experiência seja completamente diferente e o fato, talvez, no mínimo, colabore a tornar a narrativa ainda mais agradável do que já pode ser por si só - inclusive, talvez possa auxiliar a trazer mais fiéis ao universo doramático. Já imaginou?

Ainda pela inserção da cultura coreana no livro, opta por adicionar algumas palavras do idioma como um bônus para o leitor. Não precisa se preocupar, entretanto, em saber coreano para entender a obra: são poucos os momentos em que as expressões estrangeiras são adicionadas ao texto e, não necessariamente traduzido, são explicadas ao público. Não chega, portanto, a ser uma aula de coreano, mas dá para atiçar algumas curiosidades - principalmente quando a protagonista cita os honoríficos.


Mas sem preocupações: Nada disso tira a brasilidade da obra: a linguagem geral é tipicamente brasileira, com expressões retiradas de nosso vocabulário cotidiano, informal, que colabora a tornar a leitura fluída e mais verossímil ao leitor, que, segundo o alvo da obra, ou seja, o juvenil, insere-se neste contexto com grande familiaridade e sente-se "em casa" com Pule, Kim Joo So.

A última parte do livro deixa no ar uma possível continuação, e resta saber se a brasileira Gaby Brandalise, autora de 34 anos, youtuber e fã assumida do SHINee tem interesse em produzir um segundo livro para essa narrativa. Se fosse depender de mim, apenas, já estaria assinado em baixo.

Sendo assim, Pule, Kim Joo Soo é uma leitura recomendável principalmente aos fãs de dramas coreanos, mas que também pode ser aproveitada e deliciada por outros públicos, com sua delicadeza ao desenrolar uma história profunda, dramática e extremamente afável ao leitor, que consegue finalizar a leitura em poucas horas sem grandes problemas. 

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3 comentários

  1. Que resenha top Karol. Simplesmente apaixonada. <3
    Li este livro no começo do ano e tornou-se um dos meus queridinhos da vida. No começo tive medo dos clichês e dos plots que podiam surgir, mas sou completamente apaixonada pela experiência visual e sensorial contida nas descrições da cenas e por todas as singularidades, que tornam o livro único, genial.
    Não sei se apenas eu tive essa impressão, mas em alguns momentos pensei: Isso é tão “W”, o So é tão o Lee Jong Suk e etc. kkkk
    Super beijo, Polly <3

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Amei a resenha Karol!
    Eu infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas já está na minha listinha de livros para ler nas férias e claro, eu como fã assumida de doramas e de toda a cultura coreana, torna esse livro quase obrigatório! HaHa
    Beijos, Lih!

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