CLC e a libertação feminina em 'No': chega de rótulos! - Elfo Livre

CLC e a libertação feminina em 'No': chega de rótulos!

by - janeiro 30, 2019


O grupo feminino de k-pop CLC realizou nessa quarta-feira (30) o seu aguardado comeback com o seu oitavo mini álbum de trabalho, No.1, do qual promoverão a faixa No, cujo MV foi divulgado oficialmente no mesmo dia e está chamando a atenção dos internautas por sua mensagem crítica de feminismo e amor próprio em ambos vídeo e letra da música.

Assim como muitos grupos femininos, o CLC já passou por diversas imagens: em Pepe, sua música de estreia, foram extremamente fofas e inocentes enquanto em Black Dress, seu comeback mais recente, por exemplo, demonstraram uma imagem mais madura e sensual. Com sua nova música, No, o grupo desapega de tais rotulações e as critica, recusando se expressarem em uma única cor. 

"Inocente, sexy e fofa
são palavras que não conseguem expressar quem eu sou.
[...]
Inocente? Não.
Sexy? Não.
Fofa? Não.
Se fingir de boazinha?"


Inocente, sexy e fofo são os principais conceitos da música coreana para grupos femininos, mas mulheres são mais do que um conceito e o CLC teve a coragem de apresentar sua recusa a estes estereótipos com sua nova canção: elas não serão essa imagem pré-programada que esperam que elas reproduzam, elas serão elas mesmas, com o seu estilo, sem se atentar em seguir padrões impostos pela sociedade.

Boca vermelha? Não.
Brincos? Não.
Salto alto? Não.
Bolsa de mão? Não.
Esqueça dessas coisas básicas e 
traga-me algo diferente, algo que seja mais a minha cara.
Esqueça esses jeitos de parecer "mais bonita"
Não me importarei com como você se sente para que possa parecer mais "eu".


Além dessas recusas, elas ainda afirmam no refrão da música que se amam e são orgulhosas das pessoas que são e de sua libertação dos estereótipos comportamentais e de aparência e convidam as demais garotas a seguirem pelo mesmo caminho de amor próprio e liberdade feminina. 

"Sim, o que eu faço com o meu "eu" é somente da minha conta
Eu posso agarrar, soltar, seguir o vento
Eu brilho, eu brilho, eu brilho
Venham aqui, olhem aqui, olhem para mim
Se empolgue, se empolgue, se empolgue
Eu sou linda, essa louca sou eu.

Eu me amo, eu gosto disso
 e do batom que ficará melhor em mim
Eu me amo, ande como eu
Experimente, se você quiser"


O MV é um perfeito complemento visual para essa narrativa. Logo na primeira cena do clipe, como mostrado logo acima, a integrante Seungyeon está andando por um salão onde as demais membros do CLC estão presas dentro de expositores, como se fossem bonecas a venda, obras de arte ou manequins a exposição de alguma loja, representando que elas ainda estão presas por rótulos, colocadas em caixinhas pela sociedade.


Pouco mais adiante, vemos a integrante Yujin, conhecida como a mais fofa do grupo, demonstrando sua insatisfação com estes estereótipos: agarrada a um buquê de flor, poderia passar uma imagem meiga e inocente, mas prefere jogá-lo para longe e sentar-se mais confortavelmente, com as pernas abertas, o que ainda hoje é visto como uma posição desrespeitosa para as mulheres. "Senta direito", "senta igual mocinha" e "fecha as pernas" são coisas que meninas ouvem desde cedo pelo simples ato de se sentarem "como homens", como se até isso tivesse distinção de gênero.


Colocar os pés na mesa, então? Uma afronta para as regras de etiqueta. Mas não é afronta a palavra que melhor descreveria esse comeback? Seungyeon pisa com gosto na mesa e, subjetivamente, no patriarcado, já que a mesa está repleta de saltos, bolsinhas e jóias, objetos superficiais usados para "embelezar mulheres" que já são belas e não precisam de mais nada. 


Ao longo do clipe, flores são constantemente jogadas, cortas e queimadas. Flores representam a "feminilidade", com todo o aroma e graça que uma mulher foi, por muitos anos, obrigada a carregar. Mas não mais. As flores são recusadas. Os estereótipos são recusados. São cortados. Jogados foras. Queimados. Ninguém aguenta mais. Estereótipos? Não.


Bolsas, saltos e colares são apenas acessórios, mas trazem um peso muito maior de machismos cotidianos que nos cercam desde o nascimento. Se usa shorts é piranha, se usa calça é santa; se usa maquiagem quer se aparecer, se não usa é descuidada. Use batom, mas não tão escuro. Esconda as olheiras, mas faça parecer natural. Coloque um vestido, é feminino, mas não pode ser muito longo nem muito curto, o que os homens vão pensar de você se sair de casa assim? Se comporte, ninguém vai querer casar com uma mulher sem modos. Não perca a virgindade antes do casamento. Vai casar sim! Aborto? Pecado! Como assim não quer ter filhos? Isso é coisa da idade! Ser mãe é uma benção, você ainda vai descobrir. Um peso do qual as integrantes se livram jogando em um caixão. 


Então elas próprias carregando o caixão do machismo com tamanha plenitude, sem choros, sem arrependimentos pela morte de algo que nunca trouxe benefícios, só dores a gerações e gerações de mulheres que sentiram e ainda sentem diariamente o peso que uma sociedade machista coloca sob suas costas. E um caixão pesa bem menos que todos os sacrifícios ao nosso amor próprio, a nossa saúde mental e a nossa felicidade que a sociedade cobra das mulheres desde cedo sem nunca ter perguntado o que nós gostaríamos. Mas a nossa opinião importa. A nossa voz importa. Não precisamos fingir para agradar os outros, nós precisamos é de liberdade para sermos nós mesmas, e o CLC mandou muito bem em No com essa mensagem.

Chega de rótulos.

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1 comentários

  1. Adorei o post,aliás parabéns pelo site estou amando haha, espero que as CLC sejam um grande grupo de kpop assim como 2ne1 foram e como Blackpink está sendo atualmente. Mas me dói na alma lembrar que a empresa delas é a Cube...a mesma que despediu Hyuna e E'Dawn por estarem simplesmente namorando...

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