Wotakoi: a representatividade otaku em suave comédia romântica

by - abril 07, 2019


Wotaku ni Koi wa Muzukashii (Wotakoi: Love is Hard for Otaku), ou simplesmente Wotakoi, foi um anime originalmente transmitido entre abril e junho de 2018 com base no mangá de Fujita. Como o nome propõe, sua narrativa aborda um divertido relacionamento entre dois Otakus que se conhecem desde a infância.

Após se decepcionar na vida amorosa, a fujoshi (fã de yaoi) Narumi muda de emprego e, no novo escritório, tenta esconder seus hobbies, mas um encontro com o gamer Hirotaka, seu mais nerd amigo de infância, irá expor a verdade sobre a garota. Neste ambiente, voltam a se aproximar e dão início a um relacionamento no qual tudo pode dar muito certo ou completamente errado.


No Japão, o termo Otaku passou a ser usado de forma pejorativa nos últimos anos, assim como aqueles que se identificam com essa cultura. Ao contrário do Brasil, por exemplo, que os otakus são exclusivamente fãs de animes, a nomenclatura em seu país de origem é muito mais ampla, abordando qualquer tipo de fanatismo, como é representado no anime em Hirotaka, fã de jogos digitais.

O anime aborda, ainda, a questão do preconceito por meio da protagonista feminina que, após ser vítima de zoações por seus gostos, passa a escondê-los para si enquanto, em público, veste uma imagem de "pessoa normal". Mas, afinal, o que é ser normal? O conceito de normalidade é muito subjetivo e pessoal para ser definido tão estritamente. Trabalha-se a autoaceitação da personagem enquanto, ao lado de seu novo namorado, se liberta.


Neste novo relacionamento ambos são otakus, mas otakus de categorias diferentes e ao mesmo tempo que estar nessa cultura marginalizada os aproxima, estarem em grupos distintos tenderia a afastá-los, mas quando há amor os obstáculos e diferenças são facilmente superáveis e esta animação não peca em nada ao mostrar a adaptação de dois solteiros a um universo unificado de parceria.

É um namoro doce e divertido, ao estilo shoujo com poucas interações físicas, mas com os gracejos e certos duplos sentidos mais típicos do shounen, como constantes conversas sobre seios. Em um dia a dia dividido entre trabalho, bar e casa, o casal desenvolve-se em um ritmo gostoso, regado a amizades e risadas, enquanto aprendem sobre o amor e sobre amar, ainda sob uma visão mais delicada de início de namoro.


Um casal secundário, representado nos colegas de trabalho Kabakura e Hanako, também otakus, mostra uma dinâmica diferente dos protagonistas. Juntos há algum tempo, a liberdade entre eles é maior, com menos timidez, mas também com constantes provocações de ambas as partes que, de caráter ofensivo, chegam a incomodar o espectador mais crítico quanto a relacionamentos abusivos, com o alerta piscando para essa possibilidade.

Sem dar spoilers, a importância do diálogo entra em cena e desenvolve papel importante, com o anime assumindo uma posição de conscientizador, mesmo no perfil ficcional, ao apresentar uma situação ruim mas sem deixá-la passível de romantização, ajudando o espectador a vê-la com olhos pais cientes, educados.


A opening é um ponto positivo para a produção, uma vez que uma boa abertura precisa conversar com o seu produto apresentado e ser chamativa o suficiente para evitar ser pulada, prendendo a atenção tanto pela música, pela animação, ou até mesmo por ambos - como neste caso. O auge é o refrão, que usa de uma coreografia com elementos da Língua Japonesa de Sinais (JSL) para compor uma apaixonante dança de casais.

O ponto mais alto de Wotakoi, entretanto, não deixa de ser o cotidiano dos otakus e como estes se relacionam com outros de sua tribo. Por meio deste enredo os personagens desenvolvem suas personalidades e afetividades, encontrando nesta ainda considerada subcultura o seu eu verdadeiro enquanto o espectador se identifica com suas pequenas ações diárias e os dilemas por eles vividos.


É essa identificação que torna o anime tão recomendável e querido dentre o público que gosta de se ver nas narrativas ficcionais, alcançando, ainda que inconscientemente, a tão falada representatividade. Muitas das situações expostas na animação podem até ser clichês, mas no sentido positivo da palavra, que aproxima a história de mais espectadores.

Ao todo são 11 episódios, disponíveis no Brasil pela Amazon Prime Video. Seu mangá de origem também está sendo lançado no país pela editora Panini, com periodicidade bimestral. O primeiro volume foi lançado em fevereiro em território brasileiro enquanto, no Japão, está em lançamento desde 2016 e atualmente conta com seis edições, ainda em andamento.

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