Vivian Kim e os padrões de beleza na Coreia do Sul


Vivian Kim (Kim Ji Yang) é uma modelo plus-size coreana. Ela é dona de uma revista de moda plus-size que tem como meta promover a imagem de um corpo saudável e ajudar as mulheres coreanas a se aceitarem independente de seu peso.

“Gorda demais ou magra demais?” 

Recentemente, Vivian deteve atenção internacional após um vídeo com a frase acima tornar-se viral. Confira:


A modelo tem 30 anos, pesa 70kg, veste 42 e tem 1,65m de altura. Já foi modelo nos Estados Unidos, mas era considerada "magra demais" para a categoria plus size. Em uma entrevista, ela diz que o ideal na Coreia é pesar 50kg, e as mulheres acima disso sentem-se gordas. "São padrões ridículos e impossíveis que ferem o amor próprio de muitas mulheres. Tem que mudar.", afirma.

Em sua maioria, os coreanos são extremamente preocupados com a aparência, principalmente os ligados à mídia como cantores e atores. Cirurgias plásticas são comuns, sendo inclusive um "presente de formatura" para muitas garotas do ensino médio, dadas pelos próprios pais. Essa indústria movimenta mais de 4 bilhões de euros por ano no país.

Esses "padrões de beleza" implicam em uma infinidade de aspectos, tais como pele clara, pernas longas e finas, maxilar fino, cabeça pequena, pálpebras duplas e, claro, corpos magros.


Após desfilar para fabricantes americanos de plus size em 2010, Vivian voltou à Coreia e queria continuar com seu trabalho, mas percebeu que não existia mercado para isso no país. "É um fato que a magreza é o ideal de beleza da maioria de nossos clientes. Por isso temos que responder à essa demanda", explica o estilista Lee Chung Chung.

A taxa de obesidade na Coreia do Sul é uma das mais baixas do mundo, com apenas 4,9%. 

"A indústria da moda e os estilistas sul-coreanos devem evoluir e começar a considerar (os tamanhos grandes) de uma forma profissional e não só de maneira excecional ou como divertimento", rebate Gong Ji Woo, diretor da agência de modelos Seul New Face Model.

O preconceito é explícito mesmo na publicidade, onde diversos cartazes atacam as "acima do peso" dirigindo-se a elas como "preguiçosas, gordas e feias", sem medo algum. "As pessoas ficam horrorizadas de que uma "gorda" como eu mostre o seu corpo sem se envergonhar. Alguns dizem que eu não deveria aparecer em público nem nos meios de comunicação", comenta Vivian Kim, que já perdeu a conta de quantos insultos já ouviu e mesmo ameaças de morte, quais responde com ações judiciais.

Na mídia


Nos grupos de K-POP é extremamente comum nos depararmos com meninas magríssimas e com aparência de boneca. Algumas cantoras revelaram suas dietas em entrevistas, como comer apenas o que couber em um copo plástico, substituir refeições inteiras por café ou sobreviver na base de milho e cenoura.

Agora imagine uma dieta louca dessas caminhando ao lado de uma rotina pesadíssima, com agendas lotadas de shows e programas de variedades onde precisam de força para realizarem suas coreografias complicadas e sorrirem em frente às câmeras. É o combo perfeito para desmaios, o que também não é tão raro de se ver.


Na imagem acima temos três cantoras coreanas: Ailee, Hyorin e CL. Para nós, brasileiros, essas três moças são boas definições de "gostosas". Apesar de não terem barriga alguma, elas ainda são observadas com más olhares pelos "obsessivos da magreza" apenas por terem coxas grossas. Em uma entrevista, Ailee revelou ter perdido 10kg em apenas um mês pois estava prestes a lançar uma música nova.

Outras artistas, entretanto, não movem um dedo para agradar os padrões. Lee Hyori foi alvo de críticas pela mídia por seus "pneuzinhos" por cima da saia, a qual ela respondeu dizendo que "nosso corpo muda quando envelhecemos e não podemos fazer nada contra a natureza do ser humano". 

Infelizmente, não só os sites de fofocas e programas de auditório ficam em cima das famosas, mas os próprios fãs costumam encher suas redes sociais de comentários referentes ao seu corpo. Por outro lado, alguma boa porcentagem (especialmente internacionais) os apoiam e mesmo se preocupam com a saúde dos ídolos.


Em um episódio do programa Hello Counselor com a participação do grupo F(x), um homem da plateia pronunciou-se sobre a integrante Sulli dizendo que ela deveria perder peso nos braços e que todas elas deveriam trabalhar em algumas partes de seu corpo.

A indignação foi enorme tanto da parte de outras mulheres presentes como das próprias integrantes do grupo. Outra delas, Amber, nascida na Califórnia, respondeu-o à altura afirmando que é errado machucar as pessoas comentando sobre seu peso.

Pra finalizar

Antes que me entendam mal, a intenção desse post é mostrar meu posicionamento contra a cultura da magreza. Em nenhum momento quis insinuar que a busca da magreza ou ser magro é algo ruim, mas sim o que o estabelecimento desses padrões de beleza reflete na sociedade, fazendo com que as pessoas acima do peso sejam vítimas de preconceito.

O que mais me incomoda nessa "beleza ideal" é a pressão colocada nas meninas, que acabam se sentindo obrigadas a emagrecerem e o fazem apenas para não serem consideradas feias ou gordas perante ao que é imposto como bonito. Emagrecer porque você quer? Ok! Emagrecer porque os outros querem que você emagreça, sendo que está feliz com o próprio corpo? Jamais!

A luta para emagrecer torna-se prejudicial quando deixa de ser uma satisfação pessoal e atinge o nível do "eu preciso ser magra, pois a sociedade cobra isso de mim". Alguns, para conseguirem o modelo determinado como "perfeito", submetem-se a métodos agressivos a saúde e ultrapassam os limites do seguro e o resultado é uma alta vulnerabilidade a doenças.

Não apenas da Coreia do Sul, mas essa é uma realidade que está presente em todo o mundo, inclusive no Brasil com as desejáveis curvas e o bumbum perfeito.  Entretanto, por lá a coisa é absurda e chega a ser horripilante o quanto a mídia, amigos e a própria família cobram o "alcançar dos padrões". O lance é cultural.

Por isso precisamos de mais imagens como Vivian Kim para ao menos amenizar essa realidade, a influência da mídia é muito grande entre os jovens. Enquanto a televisão continuar mostrando essa ideia completamente errada de "o corpo perfeito", haverá discriminação e a luta contra si mesmo continuará.

Beleza não é sobre ser magro ou gordo.
É sobre ter confiança de se achar bonito sendo do jeito que você é."
Vivian Kim


Visite o site de Vivian: im66100.com
Siga Vivian no Instagram: @plusmodel
Assista o desfile de Vivian em LA, em 2010: link no youtube

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8 comentários

  1. a Ultima frase do post falou tudo,
    sempre fui curiosa porque tinha tantas meninas com a coxa tão fininha, não que eu achei feio, mas essa dieta, meu Deus sem café da manha eu ja passo mal, como elas tem todo esse pique com essa alimentação.... E triste ver tais padroes prejudicando a saúde física e mental das mulheres, essa cultura da beleza infelizmente é no mundo todo.
    Jardim de Sereia

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    1. Eu não consigo ter uma alimentação saudável, sou muito chata com comida e adoro comer, nunca que conseguiria seguir essas dietas malucas que algumas garotas fazem para emagrecer. Realmente, Taina, esses padrões prejudicam a saúde física e mental das mulheres e por ser um lance cultural é muito difícil de derrubar, por isso precisamos de imagens fortes da oposição.

      Beijos e tenha um bom dia. ❤

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  2. Nossa, adorei esse post, até pq eu mesma sou uma que tava nessa nóia de querer ser magra :) eu já fui de tudo, magra, gorda, "nem magra nem gorda"... eu procuro me cuidar, comer bem, fazer exercicios por conta da SAÚDE (o principal)
    E isso tem no mundo todo :/ muita vezes por causa da síndrome de vira-lata as pessoas falam que essas coisas são só no Br
    E o pior é que as mulheres acabam sendo mais cobradas com o peso do que os homens, sempre que um tem uma barriguinha falam "ah, é só porque ele gosta de tomar cerveja (símbolo da masculinidade)" -__-;
    A minha irmã sempre foi gordinha e na escola chamavam ela de Bila Bilu (uma elefantinha da Xuxa), isso é ridículo ¬___¬

    Até logo ♥
    shyandbrave.blogspot.com.br

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    1. Oi, Bea! Quanto tempo que não te vejo por aqui! ❤

      Eu estou acima do peso desde os 5 anos de idade. Nunca fui considerada obesa, mas também não sei o que é ser magra. Agora, aos 18, vivo no meio termo. Não consigo emagrecer porque não me prontifico a isso, não vejo tanta relevância em ficar me preocupando com o tamanho do meu corpo, mas as vezes passo por alguns surtos por me achar desconfortável (para comprar roupas, por exemplo. Ainda assim, na maioria do tempo eu não me importo em ser gordinha e até tenho orgulho disso.

      E concordo com o que você disse sobre os homens. Nós, mulheres, somos muito mais cobradas do que eles, mas é a tal da sociedade machista, né? Nós que somos obrigadas a sermos bonitas, magras e sensuais. Um cúmulo.

      Entretanto, também vejo grande preconceito por parte das mulheres, por exemplo: o cara pode ser super legal, carismático, humilde, gente boa de verdade, mas se for gordinho as chances de tomar um fora são altíssimas - assim como acontece com a gente. É como se o fato da pessoa (independente do gênero) estar acima do peso anulasse tudo o que ela tem a oferecer. :(

      Apelidos são ridículos, preconceito disfarçado de carinho/amizade. Nojo!

      Obrigada pelo seu comentário e até logo. ❤

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  3. Cara, não sei porque esse post não tá lotado de comentários porque, assim, É TÃO RELEVANTE QUE DEVERIA TÁ COLADO NA TESTA DAS PESSOAS.
    Ai, Kah que saudades de você e do EL <3!
    Já agradeço a enxurrada de informação maravilhosa sobre a Vivian. Que mulher inspiradora, né não?
    Depois quero pesquisar com calma e me informar o máximo possível sobre ela e a carreira, afinal, sempre que tem gente numa luta por causas humanas a gente tem que dar a maior força e divulgar, arrasou <3.
    Além disso muito muito bom você citar suas fontes de pesquisa, isso além de deixar super profissional e eu diria até jornalístico (haha), também segue na ideia de "divulgar coisas boas".

    Enfim, amei o post do começo ao fim, que venham mais pautas mega necessárias como essa <3.

    Um beijão.

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    1. Oi, oi, oi, Cami! Caraca, quanto tempo que não nos falamos! Obrigada por vir aqui deixar um carinho, vou passar lá no Faiscante pra retribuir. ❤
      Assim que vi o vídeo da Vivian rolando pelo Facebook me senti na necessidade de falar sobre essa mulher maravilhosa. A confiança dela é radiante, todas as mulheres do mundo precisam conhecê-la e conhecer o seu contexto.
      Para o post, dei uma boa pesquisada em tudo o que ela já fez e, olha, a mulher é um arraso. Dá uma acessada lá no Instagram dela só pra sentir o poder dessa coreana, um arraso!
      Quanto as fontes, aprendi a valorizar isso após ter feito um semestre da faculdade de Jornalismo. Posso ter saído do curso (mudei para Letras nesse semestre), mas ainda estou trabalhando a parte e trazendo um pouco do que adquiri de "olhar jornalístico" para o blog. Dar créditos é essencial e ajuda a divulgar outros textos ótimos que me serviram de referência. ❤

      Adoro! Fico feliz que tenha gostado, de verdade! Vou dar mais espaço para esse tipo de conteúdo aqui no blog, pois confesso que estou adorando escrever umas matérias mais sérias assim, rs.

      Beijão e obrigada, mais uma vez! ❤

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  4. Primeiro, os coreanos têm sempre aquela tendência para se ofenderem com tudo (assim no geral, não falo de todos) o que já só por si é um bocadiiiiiinho irritante (talvez muito). Parece que gostam de ser clones uns dos outros e essa obsessão pela beleza já chegou a um ponto em que nem eles se conseguem quase reconhecer uns aos outros e os próprios dizem que as pessoas na rua parecem quase todas iguais por causa das cirurgias.
    Só quero acrescentar uma coisa, emagrecer é sim, escolha da pessoa, MAS, também há que ter em conta a saúde, há pessoas que são gordas mas saudáveis e desde que seja assim (como a Vivian) tudo bem, mas se a pessoa não for saudável (seja ela magra ou gorda) tem de rever os seus hábitos físicos e alimentares porque é muito desconfortável, eu já tive de engordar precisamente porque estava abaixo do peso (não por obsessão pela imagem, era mesmo porque viciava em jogo e me esquecia de comer XD). Portanto na minha opinião, as modelos devem ser mesmo "modelos" a seguir, ou seja, exemplos saudáveis, e é isso que eu acho que o plus-size pretende mostrar, para além de que também mostra como uma pessoa pode ser bonita e vestir-se bem mesmo tendo números diferentes.

    Unicorns & Chill

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    1. Olá Bea, tudo bem? Acabei perdendo a resposta que havia escrito pois cliquei no botão errado, mas tentarei reproduzir e agora talvez até consiga transpor minhas ideias com mais clareza.

      Primeiramente, quanto aos coreanos, o que mais me irrita por lá é o modo que o preconceito consegue vencer tudo. A maioria das meninas (e garotos também) que emagrecem e fazem as plásticas dizem que isso é para o bem próprio, pois se sentiriam melhor assim, mas acabo vendo isso mais como uma manipulação da mídia que tenta vender esses rostos e corpos "perfeitos", fazendo com as que as pessoas se achem na necessidade de assumi-los para si pois passam a sentir certa repugnância em quem não adere ao movimento.

      Também venho a concordar contigo quanto a escolha de emagrecer ou engordar por questões de saúde, estar muito abaixo ou acima do peso pode se tornar prejudicial para vida da pessoa e nesses casos é recomendando sim a mudança nos hábitos físicos e alimentares, mas sim pelo bem da pessoa e não por uma simples questão de estética.

      Entretanto, discordo com que modelos possam ser vistos como exemplos saudáveis. Não generalizando, mas nas grandes passarelas é muito comum vermos garotas magríssimas que passam por desconfortos na alimentação e em suas rotinas para manterem o corpo, pois precisam dessa imagem para o seu trabalho e acabam submetendo-se à falta de alimentação, precariedade de proteínas e ficam expostas à doenças. Me pergunto se estas estão felizes com a vida que levam.

      Assim como, de contra partida, temos excelentes modelos que também seguem estilos de vidas saudáveis, uma alimentação boa e continuam mantendo a aparência magra e a felicidade on top. Volto a concordar também com seu comentário a respeito das plus-size, que têm como objetivo justamente expôr que um corpo saudável nem sempre é um corpo magro, que é possível SIM ser saudável, bonita e gorda - com orgulho, aliás.

      Em questão a sua última fala, "mostra como uma pessoa pode ser bonita e vestir-se bem mesmo tendo números diferentes', lembrei-me de um link que compartilhei em minha página no Facebook recentemente. Tratava-se de um renomado estilista (não me recordo de seu nome agora) que comentava sobre o descaso das marcas e especialistas em moda com as plus-size, que pouco se importam em trazer para as vitrines e passarelas vestimentas bonitas, diferenciadas e sensuais para as gordinhas, um preconceito que anda de mãos dadas com o medo da crítica. Infelizmente uma triste verdade no ramo da moda, mas que precisamos lutar para mudar - e graças a nomes como Vivian Kim, caminhamos rumo a um resultado positivo.

      Obrigada pelo seu comentário,
      beijos!

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