Boneca Russa: um bom loop temporal com toque de sátira e reflexão | Crítica

by - fevereiro 01, 2019


Chegou nesta sexta-feira (01) a primeira temporada de Boneca Russa (Russian Doll) à Netflix. A mais nova série original da plataforma de streaming é uma aposta em retomada ao clássico plot do loop temporal, já explorado em narrativas como O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, Antes que Eu Vá e Donnie Darko, mas nunca com um tom satírico que somente Natasha Lyonne poderia proporcionar.

A atriz já conhecida por personagens "problemáticas" em filmes e séries como American Pie e Orange is the New Black atua como protagonista nessa trama dirigida pela própria em parceria a Jamie Babbit e Leslye Headland. Como a politicamente incorreta Nadia, que está completando 36 anos em uma segunda-feira, morrerá no final da noite em sua festa de aniversário, mas voltará ilesa logo depois para repetir os mesmos acontecimentos todos os dias enquanto tenta descobrir como se livrar dessa situação. Confira o trailer legendado:


O enredo não chega a ser necessariamente clichê, mas histórias sobre loops temporais já foram tão produzidas ao longo dos anos, tanto para cinema como para televisão, que é difícil encontrar algo que seja de fato inovador no enredo em si. Entretanto, a abordagem é o que há de novo e surpreendente nessa produção que tira um leve sarro de si mesma quando a protagonista se vê envolvida em algo tão cinematográfico que nem ela acredita e passa a questionar a sua própria sanidade: mas o que há de mais humano que os questionamentos? Faz parte do nosso ser.

Toda a graça da trama está em suas personagens e personalidades, atreladas a um submundo de drogas e passados obscuros que afetam o psicológico desses adultos que só estão tentando viver suas vidas. A própria Nadia se faz de durona mas é só uma casca que esconde suas feridas, e a mesma descrição pode ser dada a maioria dos personagens que a cercam.


Suas amigas possuem personalidades excêntricas, desde as mais artísticas e poéticas a espontâneas e divertidas, mas todas tão problemáticas quanto. Enquanto isso, Nadia conhecerá um cara que representa o extremo oposto de si, sendo o politicamente correto que faltava para completar o quebra-cabeça que a protagonista vinha montando, mas nem ele escapa das dores ocultadas. 

Com tantos psicológicos danificados, a série nos faz pensar mais sobre a vida, tanto o passado como o presente e até mesmo o futuro, nos levando a refletir sobre nossas ações e sobre como permitimos que os outros ajam em nossas vidas, decifrando aos poucos esse enigma chamado de "vida adulta" que, para muitos, demonstra-se extremamente insuportável. Mas não precisa ser.


Há duas figuras, entretanto, que circulam o universo da protagonista e são difíceis de decifrar: Aveia, seu gato desaparecido, e o Cavalo, um morador de rua com quem tenta fazer amizade. Sem spoilers, suas aparições são tão misteriosas quanto todo o resto da narrativa. Vale atentar-se a estes dois carinhas enquanto assiste ao programa.

O final deixa algumas expectativas para uma segunda temporada devido a alguns pingos que não foram devidamente adicionados aos is, mas nenhuma confirmação sobre sua continuidade foi dada pela Netflix até o momento. Ao todo a primeira temporada teve oito episódios de duração média de 25 minutos cada, sendo um divertimento rápido e digno de maratona. Não perca! 

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