Obscura Epifania: o medo é humano

by - fevereiro 08, 2019


Recebi diversos livros da Editora Jogo de Palavras no começo do ano e o primeiro que resolvi ler é Obscura Epifania. Trata-se de uma antologia com 21 contos e poemas de suspense e terror que foi publicada em novembro de 2018 em comemoração ao Halloween, todos escritos por brasileiros e portugueses em grande representatividade à Língua Portuguesa.

Os textos são dos mais diversos tons, escritas e abordagens sobre os gêneros em questão. Em geral não chegam a dar medo, mas deixam ao leitor reflexões pelas narrativas cotidianas que foram apresentadas na maioria dos textos publicados: vampiros e demônios são assustadores, sim, como em "Leonora", por Paulo Luís Ferreira, ou em "A Incessante Sede de Morte Sombria", por Giórgia Neiva, mas o pior dos medos está entre os humanos.


Nina Bichara narra em "Interrupção" um aterrorizante conto enfatizado em um elemento extremamente corriqueiro: um interruptor. Sim, aquele botãozinho de acender e apagar as luzes dos cômodos. Como surgiu a brilhante ideia de colocar algo tão simples no meio de uma narrativa perturbadora é um segredo para mim, mas me agradou a desenvoltura que a autora teve em lidar com algo tão simples de forma nada simples.

O texto "O ônibus escolar", de Guilherme Hernandez Filho, colocou em pauta uma narrativa que me apavora diariamente: a de estar em um ônibus. Quem depende desse meio de transporte público sabe que estamos propícios a passar por diversas situações, das mais engraçadas as mais apavorantes, em uma única viagem, e o texto nos apresenta o segundo caso com uma ótima narrativa de deixar qualquer passageiro aflito.


Entretanto foi o último texto, um poema singelo de apenas cinco versos, que me deixou encasquetada com essa leitura. Trata-se de "Visão", de autoria de Antônio Luiz de Medeiros Campos, autor de apenas 19 anos, e compartilho esse texto logo abaixo:

A mesma escuridão que um dia temi,
Hoje me envolta em um beijo de lucidez
Não passando de um espelho,
Me faz ver que meu único medo
Sempre foi eu mesmo.

Tem medo mais universal do que o medo que sentimos de nós mesmos? Esse é o medo pai de todos os medos, o medo que muitas vezes nos impede de ver o próprio reflexo no espelho, de sair de casa em dias não-tão-bons e de encarar o futuro e suas incertezas assustadoras. O autor não precisou de mais do que cinco versos para conseguir transpor esses sentimentos que nos consomem aos poucos. O descreveu com mestria.

A edição física de Obscura Epifania está à venda no site da Editora Jogo de Palavras por R$30,00. Para comprá-lo, clique aqui. Além da versão impressa, a Editora oferece ainda gratuitamente o PDF completo da obra. Para acessá-lo, clique aqui. Acompanhe também a Editora Jogo de Palavras pelo Facebook e pelo Instagram para estar por dentro dos lançamentos.

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