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A Teoria De Tudo foi uma grande homenagem em vida a Stephen Hawking


Muitos nomes relevantes para o meio artístico e científico só recebem as devidas homenagens por seus feitos após a morte. Infelizmente, Stephen Hawking deixou o mundo neste dia 14 de março, aos 76 anos, mas não entra para a estatística dos postumamente homenageados: sua história de vida foi contada em 2014 pelo filme A Teoria de Tudo.

Produzido pela Working Title Films e dirigido por James Marsh, foi baseado no livro "Travelling to Infinity: My Life with Stephen", de Jane Hawking, sua primeira esposa, que narrou seu relacionamento com o físico teórico, seu trabalho e os desafios que encaravam com sua doença neuromotora, ELA, enquanto estiveram casados, provando aquela antiga teoria de que por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher.


De forma romântica e dramática, o filme aborda principalmente o desenvolvimento das relações amorosas de Hawking por suas esposas, lembrando que o livro é contado pelo ponto de vista da mulher, mas não deixa de focar ainda em quão empenhado era com seu trabalho e seus estudos, dedicando sua vida a compreender os mistérios da gravidade quântica e cosmologia teórica, incluindo obras sobre as leias da mecânica de buraco negro, em analogia a termodinâmica.

A obra cinematográfica enfatiza ainda sua relação com a Esclerose Lateral Amiotrófica, popularmente chamada de ELA, doença que causa a morte dos neurônios motores, células nervosas responsáveis por todos os movimentos do corpo, incapacitando, aos poucos, seus pacientes de se moverem, falar, engolir e até mesmo de respirar.


Hawking viveu em uma cadeira de rodas e era dependente de um sistema de voz computadorizado para se comunicar com as pessoas. Dentre os aparelhos usados pelo físico, um funcionava por um sistema de rastreamento de músculos da bochecha para controlar o sintetizador e, em 2013, passou a usar um mais recentemente, que traduzia seus pensamentos e expressões em fala, embora tenha afirmado que preferia a interface antiga por ser menos cansativa e mais fácil de ser utilizada.

Mesmo com tantos obstáculos sendo colocados em seu caminho, Hawking viveu plenamente até os 76 anos de idade e deixa ao mundo um grande legado de avanço tecnológico e científico embora, de acordo com ele mesmo, tais avanços são uma ameaça humanidade que está criando novas formas de as coisas darem errado.  


O filme rendeu a Eddie Redmayne ("A Garota Dinamarquesa" e "Animais Fantásticos e Onde Habitam") um Oscar de Melhor Ator na premiação do ano por sua excelente performance como Stephen Hawking, logo em sua primeira indicação ao prêmio. O filme também foi indicado a Melhor Filme, Melhor Atriz (por Felicity Jones), melhor roteiro adaptado (trabalho de Anthony McCarten) e Melhor Trilha Sonora (por Jóhann Jóhannsson), mas só Eddie levou a estatueta para a casa nesta noite - e um elogio via Facebook de Hawking, que o parabenizava pela vitória e dizia-se orgulhoso de Eddie.  Em publicação feita em 14 de novembro de 2014, o físico comenta sobre o filme:

"Eu acho que Eddie Redmayne me retratou muito bem no filme A teoria de Tudo. Ele passou algum tempo com sofredores de ELA para que pudesse ser autêntico. Às vezes, eu pensava que ele era eu.

Ver o filme me deu a oportunidade de refletir sobre minha vida. Embora eu tenha sido gravemente incapacitado, tive sucesso no meu trabalho científico. Viajo amplamente e fui à Antártica e à Ilha de Páscoa, em um submarino e em um voo de gravidade zero. Um dia espero entrar no espaço.

Tive o privilégio de entender melhor a forma como o universo opera através do meu trabalho. Mas seria um universo vazio, sem as pessoas que eu amo. -SH"


Assim, embora o filme com enfoque romântico, Stephen Hawking teve sua história de vida pessoal contada em um longa metragem de orçamento baseado em 15 milhões de dólares enquanto seus feitos físicos e científicos eram mundialmente reconhecidos e aclamados pela academia e estudiosos da área. Hawking agora descansa em paz.
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