Daniel, Daniel, Daniel: um retrato delicado e juvenil sobre TOC e aceitação

by - outubro 01, 2019


Vencedor do prêmio Edgar de melhor livro juvenil (2017) e do prêmio Silver Birch (2017), Daniel, Daniel, Daniel (ou OCDaniel, no original) é o uma incrível história sobre TOC, autodescoberta e amadurecimento escrita por Wesley King e publicada no Brasil pela Rocco Jovens Leitores, com tradução de Thales Fonseca.

Na história, Daniel tem aquilo que chama de Choques, sensações de que coisas ruins acontecerão se ele pisar nas juntas dos pisos ou não evitar tais números, e que os levam a Rituais de ligar e desligar o interruptor por horas, escovar os dentes até a gengiva sangrar ou dar incansáveis voltas pelo seu quarto, o que for preciso até que volte a se sentir bem. Acreditando não ser normal - e lutando contra isso -, esconde seu sofrimento de todos ao seu redor, inclusive seus pais.


O que o garoto não sabe, entretanto, é que ele não é a única pessoa que se sente assim. Acompanhado de Sara - ou PsicoSara, como é cruelmente apelidada -, que precisa de ajuda para desvendar o mistério por trás do paradeiro de seu pai, Daniel aprenderá sobre as Crianças das Estrelas, TOC e outros transtornos, em uma majestosa e delicada jornada de descobertas sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor.

Nesta aventura rumo a soluções e superações, a socialização será uma grande arma, com o livro expondo de forma muito lúdica a importância de nos abrirmos, de expormos nossos sentimentos e de buscarmos e aceitarmos ajuda quando precisamos. Ainda mais na transição de fases da vida, como a chegada da adolescência, no caso dos personagens, ou no início da vida adulta, tendo o público alvo da obra, ambos períodos de mudanças e incertezas.


Durante todo o livro Daniel é forçado a sair de sua zona de conforto para crescer e se desenvolver, assim como o leitor: enquanto acompanhamos o desenvolvimento do personagem como reserva do time de futebol americano da escola, o livro joga inúmeros termos técnicos que, para quem não está acostumado com a linguagem dos esportes, é um idioma a parte. No entanto isso não é um incômodo, mas uma oportunidade de aprender algo diferente - assim como o personagem está em um constante processo de aprendizado.

A obra traz, ainda, grande intertextualidade: embora Daniel seja parte do time de futebol, mais como uma tentativa de agradar ao pai, seu verdadeiro (e secreto) hobbie é a escrita e, quando ninguém está olhando, gosta de trabalhar em um livro de Ficção Científica onde muito é inspirado em sua própria vida, assim como o autor, Wesley King, confessa ter se baseado em suas próprias vivências com o TOC para descrever Daniel.


Segundo o próprio autor descreve em suas notas finais, o livro é "uma história de esperança e aceitação". Ele continua: "Meu desejo é que as pessoas que sofrem de transtornos mentais e o leiam percebam que existem muitas outras no mundo na mesma situação e, igualmente importante, que também querem ajudar".

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