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A Garota do Casaco Azul, uma história de altruísmo e resiliência | Resenha


A Garota do Casaco Azul (Girl in the Blue Coat) é um livro de 2016 da jornalista Monica Hesse. Do gênero ficção histórica, a obra foi publicada em abril de 2019 no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco, com tradução de Rachel Agavino.

A obra nos apresenta a Hanneke, uma jovem holandesa que, em plena Segunda Guerra, trabalha com contrabando para sustentar sua família. Seus clientes normalmente pedem comida, cigarros ou itens de beleza, mas a mais recente solicitação foi completamente absurda e assustadora: encontrar uma garota judia que sumiu de seu esconderijo ilegal.

Hanneke tinha seu próprio modo de resistir ao nazismo, mas isso estava além de sua capacidade. Ela nunca se colocava em grandes riscos, mas isto poderia lhe custar a vida. Mesmo assim, encontra dificuldade em recusar o pedido, cada vez mais interessada no desfecho dessa história e, vendo nela, uma oportunidade de se reparar pela morte de seu namorado. Além de enfrentar os nazistas e a dura realidade da época, terá de confrontar seus próprios ideais.


Grande parte da atitude e personalidade atual de Hanneke deve-se a um sentimento de responsabilidade quanto a perda de seu amado, cujo sofrimento é canalizado e revertido em suas ações para encontrar a pequena judia, tão vidrada em seu objetivo que chega a agir de forma egoísta — embora inconsciente.

Ainda que por motivos egocêntricos, neste novo e perigoso cenário a garota passa por um expansão da sua visão de mundo: antes, por agir no contrabando, achava que sabia muito sobre a guerra, comparada a sua mãe ou seus clientes, mas percebe que estava perfeitamente enganada. A guerra é muito maior e mais difícil para aqueles que não são o perfeito retrato ariano, como Hanneke. Sua aparência mascara seus pensamentos e tornam sua vida mais fácil, e descobre isso da pior forma.

Essa amarga lição fica um pouco mais doce confirme cria laços com novos personagens que surgem em sua narrativa, membros de grupos de resistência como o Amsterdam Student Group, formado por universitários para resgatar crianças, e o Underground Camera, formado por fotógrafos que registravam ilegalmente a crueldade da guerra.


Tudo isso foi narrado com uma grande precisão histórica, mas como todo bom livro de ficção tomou algumas liberdades, tais quais a autora explica nas notas finais, necessárias para dar andamento a obra e que em nada diminuem sua qualidade e importância. A Garota do Casaco Azul é um daqueles livros que mexem com a nossa mente e trazem o amargo — e indispensável — lembrete da força de nossa resiliência em tempos difíceis.

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