Bailarina Perfeita (Work It) é o clichê que 2020 precisava

by - 04 setembro


Nada de síndrome de cinéfilo chato: Clichês são bons. Para o Elfo Livre, isso é um elogio — afinal, para um estilo ter se tornado tão marcante na história do audiovisual, ruim é que não deve ser. Bailarina Perfeita (Work It) se encaixa perfeitamente nisso: a história é pra lá de previsível? Claro! Mas nem por isso deixa de ser um filme incrível e muito necessário.

2020 tem sido um ano muito pesado, assunto que renderia um livro e que todos estão mais do que cientes, então não há para quê tecer muitas linhas sobre, mas é justamente por isso que os filmes comerciais, com intuitos de entretenimento, estão sendo tão bem-vindos por aqui. Ainda mais quando a produção deixa de ser "só mais um filme de dança" para entregar uma história sobre libertação, sonhos e amizade, regada ainda de um elenco repleto de representatividade — embora a protagonista Quinn, interpretada por Sabrina Carpenter, seja branca.


Na trama, Quinn é a típica garota certinha que tem dedicado sua vida unicamente aos estudos a fim de entrar na Universidade Duke, a mesma em que seu falecido pai se formou. Entretanto, ela se vê tendo que aprender a dançar em poucos meses após se dar conta de que a avaliadora está em busca de alunos com ambições fora da caixinha.

"Desistir" é uma palavra que não existe no vocabulário de Quinn, e ela fará o impossível para montar sua própria equipe de dança e aprender os passinhos do zero com a ajuda de sua melhor amiga, Jas (Liza Koshy), que manda muito bem na dança, mas também de um treinador chamado Jake Taylor (Jordan Fisher) que a ensinará sobre paixão e suas diversas aplicações.


O trailer engana e a faz parecer uma protagonista sem sal, mas a verdade é que Quinn tem muita força de vontade e vai até o fim naquilo que acredita. Entretanto, ela ainda está se conhecendo e "o que acredita" é um assunto ainda a ser definido, mas cujo processo de descoberta é muito interessante de se acompanhar.

A todas as garotas certinhas ao redor do mundo, um grito de esperança de que podemos nos libertar de certos males sem deixarmos de ser nós mesmas — com permissão ao uso da primeira pessoa pela imensa identificação que senti com a personagem. Nem sempre é difícil dizer não aos pais ou ir contra as expectativas, e precisamos aprender que lutar por nossos sonhos não é algo ruim.


As bolas foras são comuns: aliás, estamos falando de um filme com personagens adolescentes. Que adolescente nunca errou com os amigos ou consigo mesmo, por não saber interpretar as próprias vontades e prioridades? O importante é a lição após o erro, e isso o Bailarina Perfeita traz em excelência.

Keiynan Lonsdale, já conhecido do público por The Flash (2014-atualmente), Com Amor, Simon (2018) e seu trabalho como cantor e dançarino, mostra todos os seus dons neste novo projeto e, mesmo como um antagonista, é difícil não se ver gritando por seus passos de dança incríveis. Aos k-poppers, um bônus: uma de suas apresentações é ao som de I Am The Best, do 2NE1!


Então arraste o sofá, alongue o corpo e aumente o volume: Bailarina Perfeita é o tipo de filme que te inspira a fazer algo para mudar a sua vida, então não deixe a oportunidade passar. Dance, cante, aprenda um novo idioma, saia da caixa, ouse. Nunca é tarde para ter um novo hobbie, nunca é tarde para descobrir novos "eus".

Se uma personagem fictícia de um romance adolescente clichê da Netflix pode, nós, pessoas reais em um mundo real, também podemos. E isso nem é um dos Ted Talks que a Quinn adora ouvir, mas sim um filme super auto-astral, com personagens incríveis e desenvolvimentos inspiradores que prometem tocar a sua alma rumo à evolução. Vale a pena assistir!

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