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Resenha | Nasci Para Brilhar: resistência e diversidade ganham a cena do K-POP


Nasci Para Brilhar (I'll Be The One) é o mais novo livro de Lyla Lee que chegou às livrarias brasileiras em outubro de 2020 pela Plataforma 21 e tradução de Regiane Winarski. A obra é um retrato dos bastidores do universo do K-POP, da identidade asian-american, da gordofobia, do lado ruim da fama, dos primeiros romances, da representatividade, do fetichismo e, principalmente, da resistência

"Skye já ouviu de tudo. Meninas gordas não sabem dançar. Meninas gordas não podem vestir cores vibrantes. Meninas gordas não devem chamar a atenção para si mesmas. Mas Skye sonha fazer parte do glamuroso universo do K-pop e, para tanto, precisará quebrar os padrões que a sociedade impõe a garotas como ela." 

A trama acompanha a luta de Skye contra todos aqueles que desacreditam em seu potencial devido ao seu peso. A jornada não será fácil, mas em meio a tantas pessoas ruins ela também conhecerá grandes amigos — e um mais do que isso — que lhe ajudarão a realizar seu sonho de ser a primeira estrela plus-size de K-POP.


Muitos assuntos de extrema relevância são abordados em meio a esse fio principal, trazendo muita representatividade e contemporaneidade ao livro Young Adult conforme discute sexualidade e identidade cultural através de seus múltiplos e complexos personagens, incluindo aqueles que servem como antagonistas para o desenvolvimento de Skye.

Uma das personagens mais interessantes da trama talvez seja Melinda, uma garota americana com ares de Draco Malfoy que parece viver para transformar a vida dos outros em algo tão infeliz quanto a sua própria. Mais do que qualquer malevolência nela apresentada, a personagem representa a perigosa ultrapassagem do ser fã de k-pop à fetichização de uma cultura inteira, condição muito conhecida pelo termo koreaboo.

Como leitores admiradores da Hallyu, é importante tomarmos as ações de Melinda como parâmetro do que não fazer, aprendendo através do olhar de Skye, coreana-americana, graças às experiências e ao cuidado da autora Lyla Lee ao escrever uma história de extrema importância como essa. O disseminar da cultura coreana pelo mundo não a torna nossa, e precisamos saber nosso lugar como seguidores da Hallyu.


A obra não deixa de ser um romance, e é impossível não se apaixonar pelo casal principal ou secundário da narrativa, mas tem tanta coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo em Nasci Para Brilhar que as narrativas amorosas acabam no segundo plano para o espectador, quase que uma "recompensa" pela dramaticidade e resiliência enfrentadas pelos personagens. Mesmo quem não gosta de romances poderá curtir esse livro dada a pluralidade e força de sua trama. 

Lyla Lee escreve desde os 14 anos, mas teve sua estreia como autora publicada em 2020 com o lançamento de quatro volumes da série infantil Mindy Kim, ainda não publicado no Brasil, e Nasci Para Brilhar, que já ganhou versão em diversos idiomas, é o seu primeiro trabalho oficial na literatura juvenil, já iniciando-o com grande êxito. 

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