'O marinheiro que perdeu as graças do mar' chega ao Brasil pela Estação Liberdade

13 maio

'O marinheiro que perdeu as graças do mar' cheg ao Brasil pela Estação Liberdade

A editora Estação Liberdade segue trazendo a obra de Yukio Mishima, escritor japonês, às livrarias brasileiras. Desta vez, o título a ser publicado é O marinheiro que perdeu as graças do mar. 午後の曳航 ou Gogo No Eiko, conforme o título original em japonês, foi publicado em 1963 no Japão. Leia descrição feita pela editora:

O marinheiro que perdeu as graças do mar chama-se Ryuji Tsukazaki, a quem parece estar predestinado algum tipo de glória. Ele faz parte da tripulação do Rakuyo, navio cargueiro que o transporta ao porto de Santos, aqui no Brasil, e às sombrias aspirações que o atormentam. Mas não só ondulante é Ryuji: ele também aporta e é atraído pela terra firme, onde se lhe oferece uma vida muito diferente da marítima.

Yukio Mishima constrói uma engenhosa história com este personagem que trava diversas relações e é apresentado através de cada uma das perspectivas de seus interlocutores, fora a do narrador. Assim, o personagem e, por extensão, sua jornada acabam por ser multifacetados e não se deixam definir unilateralmente, dando aos leitores o que pensar e interpretar. Assim, o personagem e, por extensão, sua jornada acabam por ser multifacetados e não se deixam definir unilateralmente, dando aos leitores o que pensar.

O autor permeia ainda todo o romance com palavras como “fresta”, “orifício”, “fissura”, “rachadura”, “vigia”, por onde se espiam os acontecimentos do livro. Se por um lado as pequenas aberturas proporcionam que luz entre na escuridão, que se veja a parte pelo todo, de forma misteriosa e poética, por outro podem limitar os olhos a desconsiderarem o que não veem. No centro desse conflito, está outro personagem, o garoto Noboru, que vive espionando por um buraco na parede e precisará decidir que caminho tomar em seu amadurecimento.

O marinheiro que perdeu as graças do mar explora partidas e permanências, perdas e ganhos, individualidade e abdicação desta, amor e ódio, violência e paz, explora o convite à vida em dinâmica que é o verão e a inação, a negatividade, a penumbra do inverno, estações que, aliás, intitulam as duas partes em que está dividido este livro. 

Sobre o autor

Yukio Mishima, nascido Kimitake Hiraoka em Tóquio em 1925, estreou na literatura aos dezenove anos. Somente anos mais tarde, com Confissões de uma máscara (1949) e Cores proibidas (1951), firma-se como o grande talento artístico de sua geração. Mesclando influências ocidentais e orientais, explorando tabus temáticos, como a homossexualidade e o culto ao corpo masculino, e produzindo excessivamente, a arte é, para Mishima, indissociável de suas ações.

Cada vez mais crítico da ocidentalização do país no pós-guerra, ele leva seu nacionalismo ao extremo em 1970. À frente de seu grupo paramilitar Tate no kai, invade um quartel do exército japonês em Tóquio buscando incitar um golpe de Estado que devolveria os poderes divinos ao Imperador. Sem obter a acolhida esperada, termina seu discurso e comete seppuku, tradicional suicídio ritualístico samurai, deixando perplexos seus milhões de leitores no Japão e no mundo.

Pela Estação Liberdade, o autor teve publicados Kawabata-Mishima: Correspondência 1945-1970 (2019), que traz as cartas trocadas entre ele e seu conterrâneo e Prêmio Nobel Yasunari Kawabata; e o romance Vida à venda (2020).

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