Geekerela: o encontro perfeito dos contos de fadas com o universo geek


Geekerela é um novo romance de ficção infantojuvenil que chegou às livrarias do Brasil em junho pela Editora Intrínseca. Não é a primeira vez que Cinderela é colocada em um cenário mais moderno, as brasileiras Paula Pimenta e Andreia Evaristo já fizeram isso em seus livros "Cinderela Pop" e "Allegra: Antes do Play", respectivamente, mas quem disse que nós estamos cansados de histórias assim? Não, por favor, pode mandar mais!

Essa releitura nos apresenta a Elle Wittimer, uma blogueira nerd por influência do pai, que criou-a na base de muita ficção científica e principalmente do seriado Starlfield, mas que não viveu por tempo suficiente para acompanhar o crescimento da garota. A série que marcou a sua vida vai ganhar uma refilmagem, mas o astro adolescente escalado para protagonizar o filme não agradou em nada a Elle. Entretanto, ainda vê neste lançamento a oportunidade de se livrar das garras da madrasta e de suas meia-irmãs, com um concurso de cosplay que será realizado em uma famosa convenção valendo um convite para o baile com o ator principal e prêmio em dinheiro - a única parte que a interessa.

Com a ajuda de sua amiga de cabelos verdes e cheia de talentos para moda que trabalha com ela no Abóbora Mágica, foodtruck vegano, Elle está prestes a se libertar e levar o cachorro do vizinho consigo. Mas os problemas não param de surgir em sua frente, ainda mais com um relacionamento amoroso à distância que começa a notificar na tela do seu antigo celular.


Do outro lado da linha, anonimamente, Darien Freeman, conhecido como um rostinho/corpinho bonito graças ao papel que fez para uma série teen e que vê nas gravações de Starfield a chance de realizar o seu sonho de fã, mas sua imagem não colabora para provar que é sim um verdadeiro admirador da série e muito mais que um carinha gato. Conversando com sua confidente eletrônica e misteriosa encontra a paz em meio a sua rotina cansativa e desgastante, mas seus problemas só aumentam e o distanciam da felicidade.

Nesta história de amor em anonimato, somos transportados a um universo que mistura os principais elementos do maior clássico dos contos de fadas em contato harmonioso com o mundo geek e tudo o que ele tem a oferecer, desde um fandom caloroso e dedicado a convenções com concursos de cosplay em que a comunidade se encontra como se todos fossem amigos de época, unidos pelo amor de fã.

E de amor de fã a gente entende bem, né? Se você se considera fanático por alguma coisa, esse livro é perfeitinho para você, ainda mais se for algo do mundo geek. Eu, como uma grande apaixonada por essa cultura nerd, Star Wars, Star Trek, filmes de heróis e a coisa toda, me senti extremamente abraçada por este livro, como se a autora entendesse perfeitamente o que é isso. E de fato entende.


O livro é a obra de estreia de Ashley Poston, que antes escrevia apenas fanfics. Gente como a gente, que entende o poder do fandom como comunidade acolhedora e materializou o seu sonho ao publicar Geekerela. E o melhor de tudo: ela é Lufana assumida! Se a pessoa gosta de Harry Potter e a gente já sabe que ela é uma pessoa ótima, não dá pra discutir, né?

E pessoas ótimas costumam produzir coisas ótimas também, confirmando a minha teoria com a enorme qualidade de Geekerela. Há vários detalhes que chamam a atenção, e, após finalizar minha leitura, acabei criando uma lista mental de spin-offs e outras mídias que gostaria que fossem produzidos.

Primeiramente, um filme. Como sou viciada nos clássicos animados da Disney e esta mantém controle sob duas das maiores empresas cinematográficas do meio nerd, Marvel e Lucas Film, acabei imaginando a junção do geek com contos de fadas nas telas do cinema, e Geekerela seria perfeito para isso. Produtoras, que tal transformarem esse meu novo sonho em realidade? Mal posso imaginar para ver quem seria escolhido para entrevistar o Darien, tem que ser lindo a altura!


Também não posso deixar de desejar que Starfield vire uma série real ou pelo menos um filme. As descrições dadas no livro me fazem imaginar algo bem Star Trek, até mesmo o uniforme azul com uma insígnia no peito. Quero ver o romance de Carmindor e Amara nas telonas, ouvi-los se chamarem de ah'blen e ah'blena, a nave estelar Prospero, a engolidora de mundos Nebulosa Negra e todo o drama envolvido. Deus, como eu quero isso. Ficaria feliz até com um live action de Seaside Cove, aquela série teen que lançou a carreira de Darien.

Desejaria ainda por uma ExcelsiCon, aquele evento criado pelo pai de Elle, mas é tão semelhante e obviamente inspirado na mundialmente famosa Comic Con que praticamente já existe no nosso universo, apenas tem um novo nome e começou a se expandir para outros lugares que não somente os Estados Unidos - inclusive o Brasil! Mas posso sonhar ainda com um encontro de fãs de Starfield, né? Só falta a série se tornar realidade - sim, vou continuar insistindo nessa ideia até que alguém me ouça.

A linguagem leve e atual torna a leitura tão deliciosa que o leitor nem vê o tempo passar de tão entretido que fica com o livro. A troca de narradores entre Elle e Darien colaboram para expandir o ponto de vista de quem lê, abrindo espaço para entender o que ambos estão pensando e passando em determinado momento, não focando apenas nos conflitos de um lado do relacionamento.


Tratando-se ainda do casal protagonista, a importância das mensagens de textos para o desenvolvimento da narrativa é suprema, além de acrescentar à contemporaneidade do romance, abordando a temática dos relacionamentos a distância e, discretamente, sobre as "falsas verdades" da internet, quando você não conhece as duas caras da pessoa, onde cada um mostra o que quer sobre si, "selecionando" quais faces apresentar. Mesmo que inconscientemente.

Darien, que não quer revelar sua identidade por ser uma celebridade, sequer imagina que a moça por quem está se apaixonando é, na verdade, a blogueira hater que esbanjou comentários negativos sobre sua performance em um programa de televisão. Elle, por sua vez, sequer imagina que o nerd misterioso e romântico é aquele ator que ela tanto detesta, e desenvolve sentimentos por ele mesmo sem saber sua real identidade. Tudo seria diferente se, no primeiro contato, eles tivessem se identificado, mas isso não aconteceu e é esse acaso a grande graça dessa história de amor.

Então, se você gosta de romances, contos de fadas e cultura geek, esse é claramente o livro perfeito para você, que lhe renderá algumas horas de boa leitura e uma bela de uma ressaca literária que deixará a história em sua cabeça por um bom tempo - mas, convenhamos, isso nem é tão ruim assim. Boa leitura a todos!

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