KILL THIS LOVE: uma análise semiótica do novo MV do BLACKPINK

by - abril 04, 2019


Foi lançado nesta quinta-feira (04) o mais novo MV do BLACKPINK, Kill This Love, faixa principal para o seu segundo mini álbum de trabalho. Sob o conceito de deixar para trás um relacionamento que só trouxe dores e tristezas, o grupo aposta em um forte apelo visual para este clipe, repleto de mensagens subjetivas que fortalecem a mensagem da letra. 


Uma das primeiras cenas passíveis de análise no clipe é protagonizada por Jennie que, vestida de branco, representa uma figura próxima de uma divindade. O pôr-do-sol é um clichê romântico, assim como cisnes se beijando que formam um coração. Vestida de branco, a cor da pureza, pode representar a passividade aos relacionamentos, de que tudo é lindo e feliz, mas a próxima cena desmente esse conceito.


Na imagem acima, ela apresenta um coração lapidado por joias caras, representando um amor precioso, caro, desejável. Até mesmo uma possível idealização aquela máxima de que o amor vale mais do que dinheiro". Cuidando dele como se fosse seu bem mais valioso. 


Entretanto, não demora muito para o coração ser partido e reduzir-se a uma figura de dor, de tristeza, de sentimentos que um dia foram bons e, hoje, não passam de memórias quebradas, fragilizadas e sem significado. O amor foi quebrado, assim como o feitiço que dizia que quem ama é feliz. As vezes, quem ama também se machuca.


Lisa, com seu rap potente, chega na próxima cena chutando as portas do paraíso, que revela-se como um lugar doce, colorido e convidativo aos olhares, assim como o amor. As caixas de cereais trazem referências a uma dualidade entre o amor e a morte, de relacionamentos abusivos, que é o conceito deste comeback do grupo.


Apesar de se divertir no cenário por um tempo, logo Lisa começa a destruí-lo, chutando estantes e derrubando caixas em um ato não só de rebeldia, mas de revolução. Ela poderia ter escolhido comer os cereais, ícones representativos de um amor que também se assemelha a morte, mas ela optou por acabar com essa romantização dos relacionamentos abusivos, destruindo-os. Ela escolheu ser forte e feliz.


Na cena seguinte, Rosé aparece como motorista de um carro cuja placa é EGO. Ela está chorando desesperadamente, claramente abalada e confusa consigo mesma e com qual rumo irá tomar. O curioso, entretanto, é que ela está perseguindo a si mesma, como se deseja-se atropelar a Rose que está andando pelas ruas.


Nesta análise, a Rosé dentro do carro é um ego perdido e ferido que está ameaçando a existência de sua verdadeira eu, que anda perdida e descalça pelas ruas, na maior representação de seu estado de fragilidade. Seu ego a está perseguindo. Transforma-se em uma ameaça, coloca sua vida em risco e, por fim, a atropela. A mata. Coloca em cheque o que acontece quando não se luta contra o que nos faz mal.


Mais para frente do MV, Jisoo está presa em uma ala que parece ser a torre de um castelo ou de uma igreja medieval. Assim como rosé, há duas dela. Uma, andando pelo escuro, encontra-se em um estado de reflexão e plenitude. A outra é vítima de uma confusão e de tristeza profunda, chorando desesperadamente.


Após refletir, Jisoo toma a decisão de vestir suas forças e lutar pelo seu bem e pela sua felicidade. Com uma flecha em chamas, coloca o fim em seu sofrimento ao acabar, com as próprias mãos, com aquele amor que só lhe fez mal, matando a sua antiga "eu" frágil e penosa. Agora, a única Jisoo existente é uma mulher forte e determinada. 


Retoma-se para o refrão, desta vez com um cenário menos Tomb Raider e mais passível de análises: elas estão dançando dentro de uma armadilha, dessas comumente utilizadas para capturar animais selvagens. Como se isso por si só já não dissesse muito sobre o amor ser uma armadilha, que atrai, engana e machuca, o ângulo da filmagem faz com que a armadilha se pareça com um coração afiado. 


O cenário deixa de ser colorido para dar espaço a um ambiente de vermelho forte. Segundo o estudo das cores, o vermelho pode representar tanto o amor como o perigo ou, como visto no MV do BLACKPINK, uma junção dos dois. Outra análise possível ainda nesta cena é que elas estão dançando dentro da armadilha, sem se importar com os perigos do amor, pois neste ponto da narrativa já se deram conta de que são mais fortes do que isso, capazes de encará-los e vencê-los.


Ainda na coreografia, um dos principais pontos da dança é quando, no refrão, elas fazem um coração com as mãos e as separam, representando a quebra desse amor ou, nas palavras do próprio BLACKPINK, a morte desse amor.


Entretanto, há várias formas de fazer um coração com as mãos muito mais populares do que essa. É possível interpretar a escolha deste coração ainda como algo proposital, uma vez que, ao "quebrá-lo", as mãos ficam em posição de desaprovação, como se o amor não tivesse valido a pena. Realizado na altura do pescoço, pode representar ainda o sinal coreano para "morte", quando o dedão é passado em frente a jugular.


A música para, mas logo retorna em um novo cenário, colorido por pichações. O destaque, entretanto, vai para a ousada vestimenta das meninas, emprestada de um conceito roqueiro que costuma representar força, segurança, autonomia e liberdade. Tudo o que elas conquistaram ao longo do MV ao se livrarem de relacionamentos abusivos.


No último ato do MV há, pela primeira vez neste clipe, a presença de dançarinas de apoio. Todas do sexo feminino e guiadas pelo BLACKPINK na posição central, é como se o grupo estivesse chamando mulheres para esta revolução contra a romantização de um amor que machuca. A posição "militar" no fim da coreografia implica poder e respeito. Elas estão no comando. BLACKPINK é a revolução. As mulheres são a revolução.

E esse comeback é divino.


* Essa análise foi originalmente postada no Twitter do Elfo Livre, @elfolivreblog, como uma thread para a divulgação da hashtag #KILLTHISLOVEwithBLACKPINK. As principais informações foram resumidas e compiladas nesta publicação. Favor não copiar/retirar sem creditar ao Elfo Livre.

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3 comentários

  1. Eu adorei o clipe e a música mas essa sua análise foi muito minuciosa, já tinha imaginado que fosse algo assim mas você detalhou cada cena e achei o máximo! Sério, faça sempre mais análises assim *www* Eu estou me inspirando muito meus looks nelas, são demais!! Não tenho favorita, é impossível escolher uma entre essas 4 <3

    Apenas eu, Day

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  2. Gostei bastante da análise, parece se encaixar muito bem. Só tem uma coisa que não entendi: no final, todas olham pra esquerda, c excessão da primeira. Achei que tivesse alguma mensagem nisso.

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