A Bela e a Adormecida, uma releitura libertadora

by - outubro 02, 2019


A Bela e a Adormecida é uma incrível obra de arte escrita por Neil Gaiman, autor conhecido por Coraline e Deuses Americanos, e ilustrada por Chris Riddell. No Brasil, o livro ilustrado é lançado pela Editora Rocco, com toda a graça que essa exímia releitura dos contos de fadas tem a oferecer.

Na narrativa, uma rainha está prestes a se casar, mas antes precisa resolver um problema que aflige cada vez mais o seu povo: uma onda de sono está se espalhando por todo o reino, causada por uma maldição a muito tempo iniciada, e que ninguém conseguiu pôr fim até agora. Destemida, parte em sua jornada rumo ao castelo de uma princesa adormecida, a fim de beijá-la e libertar seu povo deste sonho inacabável. Entretanto, as coisas não se revelam como o esperado.


Nessa história os personagens não possuem nomes, mas são facilmente reconhecidos por suas características singulares e seu já conhecido passado, sendo a protagonista aquela de cabelos negros que foi beijada em seu caixão e hoje vive cercada de anões. Familiar?

Traz referências ainda a outros contos populares, como ao citar o "mar de melaço" e sonhos com jardins, de Alice no País das Maravilhas, as rosas, que lembram A Bela e a Fera, e até mesmo traços de histórias mais recentes, como Valente e Malévola.


Embora as personagens e inspirações já conhecidas, seu quesito de releitura é preenchido com muita graça ao mudar o rumo de suas histórias, cruzando narrativas distintas para criar um novo e surpreendente desfecho, em um grande plot twist que só poderia ter saído da cabeça de Neil Gaiman, um verdadeiro gênio. Não espere uma história de amor, mas uma história de emancipação.

Ainda que a ambientação continue medieval, como no original, traços contemporâneos são apresentados na narrativa, com pensamentos e posicionamentos baseados no feminismo, onde a princesa salva a si mesma e a seu reino, mais interessada em lutar que em casar-se. Quanto aos contos de fadas que, em geral, terminavam em matrimônio, este ganha uma visão muito atual e mais inspiradora a jovens leitoras.


A arte de Chris Riddel em muito lembra as ilustrações mais antigas, tais como as de John Tenniel para Alice no País das Maravilhas, quase dois séculos atrás, ou de pinturas góticas. Os traços são parte realistas, parte exagerado, criando caricaturas que brincam com o imaginário do leitor e ressaltam a beleza ou feiura de personagens e/ou paisagens em seus devidos momentos.

Em preto e branco, detalhes em dourado aparecem para destacar alguns poucos elementos, como flores, espinhos e capacetes de ouro. A brincadeira das cores é transmitida também para o texto, quando frases em destaque deixam o tom de preto e fontes padronizadas para chamarem a atenção, tudo muito bem pensado e diagramado.


Em suma, A Bela e a Adormecida é uma releitura libertadora: liberta-se de suas narrativas originais, dos estereótipos da época e das expectativas dos leitores. Com uma boa história, um ótimo escritor e ilustrações que conseguem mais do que conversar, mas se entrelaçar ao texto em uma parceria indispensável, torna-se igualmente imprescindível a leitura deste material a qualquer amante de bons contos.

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