O Labirinto do Fauno, uma leitura obrigatória para quem ama fantasia

by - 09 janeiro


O Labirinto do Fauno nasceu como um filme de drama/fantasia, lançado em 2006. Com direção e roteiro de Guillermo del Toro, a obra é até hoje tida como um dos melhores filmes da história do cinema, além de garantir prêmios no Oscar, BAFTA e outras premiações importantes, verificando sua qualidade. Agora, chegou a vez de conquistar a literatura.

Chegou às livrarias no ano de 2019 a versão adaptada para romance de O Labirinto do Fauno, com a escritora alemã Cornelia Funke responsável por traduzir as imagens em palavras. Como a própria descreve nas notas finais do livro, não trabalhou em cima do roteiro e palavras exatas de Del Toro, mas se permitiu a interpretar o filme cena por cena, e recebeu a aprovação de seu criador.


Uma das liberdades tomadas por Funke em sua adaptação é ao adicionar dez contos em meio a narrativa. Chamadas por Del Toro de "interlúdios", essas pequenas novas histórias que integram o conto relacionam elementos já conhecidos de O Labirinto do Fauno, explorando a complexidade da narrativa com lendas sobre personagens e objetos da trama original.

Seja no livro ou no filme, acompanha-se a jornada de Ofélia, uma jovem garota que acaba de descobrir ser a princesa perdida do submundo, mas precisa realizar algumas missões na Terra antes de poder retornar para o trono que lhe é de direito. Em meio às provações de Fauno, criatura mística que a guia nessa jornada, Ofélia lida ainda com o novo relacionamento abusivo de sua mãe, grávida de um soldado sem coração. 


Para sobreviver, com a ajuda das fadas, de alguns objetos mágicos e de sua única amiga em vida, Mercedes, uma empregada de seu padastro que é a única pessoa capaz de sentir compaixão pela pobre garota. Ofélia descobrirá mais sobre seus antepassados e sobre si mesma enquanto realiza as tarefas, inspirada pelos livros e amor que desenvolveu ao longo dos anos pelos contos de fadas, seu único refúgio.

São muitos os momentos na obra em que a protagonista se depara com o preconceito por ainda gostar de contos de fadas, quando poucos são capazes de interpretar o quão importantes esses mundos fictícios são para a garota, que só encontra paz nas páginas recheadas por uma boa e fantasiosa história — sem saber que, um dia, viveria o seu próprio conto. A literatura é essencial não só para Ofélia, mas para todos nós.


Muitos críticos, leitores e espectadores classificam O Labirinto do Fauno como um conto de fadas para adultos, e é de fato: apesar das lições atemporais quanto a importância da fantasia para o desenvolvimento humano, empatia e determinação, trata-se de um livro/filme muito sombrio, com passagens violentas que podem não só assustar os mais novos, como causar uma estranheza ímpar que viria a derrubar por terra toda a experiência com a obra.

Ambientado na Espanha de 1944, temos como plano de fundo a Segunda Guerra Mundial e, no padrasto de Ofélia, um sádico oficial do exército que tem como único objetivo dar continuidade a sua linhagem e acabar com a guerrilheira instaurada na floresta, onde habita a resistência. Seja na escrita ou no audiovisual, as passagens com Vidal são selvagens, e pouco indicadas para o público mais jovem, recebendo classificação 16 no longa-metragem.


A edição física do livro é uma obra de arte a parte: chega as livrarias com uma edição em capa dura e ilustrações de Allen Williams que alimentam ainda mais os instintos fantasiosos da narrativa, com sua perfeita mistura de um verde extremamente belo, emprestado da paleta de cores do filme, com preto, branco e tons de cinza que, no resultado final, é uma experiência única ao olhar.

Lançado no Brasil pela Editora Intrínseca e tradução de Bruna Beber, O Labirinto do Fauno é um livro que deveria ser considerado leitura obrigatória não só para os amantes do filme, mas para todo fã de fantasia. Misturando a graça dos contos de fadas com a crueldade do mundo real, a obra cativa e educa ao mesmo tempo com exímia perfeição, e faz cada página valer a pena.


Disponível na Amazon em versão física e digital.

Veja também:

1 comentários