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Céu Sem Estrelas, um YA profundo e necessário

Céu Sem Estrelas, um YA profundo e necessário

Iris Figueiredo já é autora publicada há quase dez anos, mas e inegável que Céu Sem Estrelas, lançada em 2018 pela Editora Seguinte, seja a sua obra prima. São 360 páginas de "um romance sensível e envolvente sobre autoestima, família e saúde", como não mente a sinopse oficial da Amazon

A trama acompanha Cecília, uma garota de 18 anos que vê sua vida já não tão perfeita desmoronar cada vez mais após perder o emprego, o que engatilha uma briga com sua mãe e a leva a morar com a família de Iasmin, sua melhor amiga. Lá também mora Bernardo, que foi seu crush desde sempre mas nunca pareceu a notar — ao menos até agora. 

Céu Sem Estrelas, um YA profundo e necessário

A narração é intercalada entre os dos protagonistas, dando ao leitor uma visão mais ampla — e ainda pessoal — de como eles se sentem em relação aos eventos nos quais estão inseridos, sendo guiados para não só um relacionamento amoroso, mas um maior desenvolvimento de si mesmos: Bernardo parece perfeito aos olhos de Cecília, mas também está lidando com suas próprias feridas e suas próprias narrativas são muito envolventes, transformando sua imperfeição em seu maior atrativo.

Enquanto isso, Cecília é inegavelmente uma das personagens mais interessantes que já li e, com perdão pela intromissão em primeira pessoa nesta resenha, uma das personagens com quem mais me identifiquei. Gorda, insegura e sem muita visão a respeito de seu próprio futuro, a protagonista carrega uma carga dramática muito forte, mas ao mesmo tempo universal, fazendo com que muitas garotas se vejam nela e aprendam a se amarem e a se respeitarem, corporal e mentalmente

Céu Sem Estrelas, um YA profundo e necessário

Além dos debates de autoestima e saúde mental, aborda os privilégios — e não só os financeiros, que também são muito presentes na história, mas os privilégios de ser "padrãozinho" e de aprender sobre o seu lugar para tornar-se mais do que sensível, mas empático, tomando seus erros como lição, e o desenvolvimento de Bernardo neste sentido é fenomenal. SEM SPOILERS!

Por uma boa parcela de semelhanças, Céu Sem Estrelas me lembrou Eleanor & Park, mas numa versão muito mais inteligente e, de fato, melhorada: todos os pontos que Rainbow Rowell errou, com personagens caricatos e inúmeros preconceitos que definharam o que poderia ter de bom em seu livro, Iris Figueiredo acertou com grande estilo ao criar protagonistas imperfeitos, sim, como qualquer outro jovem, mas ainda passíveis do belíssimo dom que se chama evolução.

Céu Sem Estrelas, um YA profundo e necessário

A obra aborda temas pesados e é repleto de gatilhos para depressão e automutilação. Tudo é tratado de forma muito sensível e pessoal, mas ainda com um senso de responsabilidade em sua abordagem e desenvolvimento, essencial para transmitir a pauta de esperança com toda a sua força, empoderando o leitor à medida em que a personagem também cresce em si. 

Como todo bom Young Adult, consegue tratar destes assuntos com uma linguagem bastante acessível e envolvente, que prende o leitor do começo ao fim não só pela necessidade de saber sobre o enredo, mas do prazer de se deliciar com as delicadas escolhas de palavras da autora. Prepare-se para referências a Shonda Rhimes, Arthur Conan Doyle e Crepúsculo — e se ficou curioso de como esses três universos tão distintos podem caber em um único livro, leia Céu Sem Estrelas para descobrir. 

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