Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: confuso, complexo, genial

by - 12 março

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: confuso, complexo, genial

Seja no filme dirigido por Charlie Kaufman para a Netflix ou no livro de Ian Reid, publicado no Brasil pela Fábrica231, o enredo de Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo é confuso, mas genial. "Às vezes m pensamento está mais próximo da verdade, da realidade, do que uma ação. Você pode dizer qualquer coisa, você pode fazer o que quiser, mas você não pode forjar um pensamento", já sugeria a importância do estado mental logo na contracapa da obra.

Com um quê muito artístico e onírico, as duas obras exploram as emoções e pensamentos de seus protagonistas à flor da pele, criando camadas e mais camadas de interpretações sem dar uma resposta definitiva, com um final aberto às leituras do público — embora a morte e os arrependimentos sejam frequentemente citados como possibilidades plausíveis nas resenhas tanto do filme quanto do livro. 

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: confuso, complexo, genial

Do drama de um casal jovem e inseguro quanto aos próximos passos, Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo evolui para um relato intimista sobre a solidão, memórias sentimentos internalizados a tanto tempo que começam a se confundir à mesma medida em que confundem o espectador. A sensação que fica é que faltou algo — concretude, talvez — e justamente por fugir do realismo e ao mesmo tempo ser tão realista que este projeto ganha pontos positivos. 

Mesmo assim, a obra tem algumas boas diferenças em suas leituras literárias e cinematográficas. A principal delas, talvez, esteja na forma com a qual ela se relaciona com o leitor. Enquanto a versão de Kaufman é bem difícil de entender, Ian Reid segue por uma linha mais direta, entregando pequenas pistas ao longo de seu texto que tornam a experiência de leitura em uma espécie de caça ao tesouro, na qual o leitor precisa se atentar aos detalhes para dar forma a esse quebra-cabeça de 224 páginas. 

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: confuso, complexo, genial

Talvez seja mais interessante conferir o filme primeiro, tentar entender por conta própria e, depois, buscar as respostas restantes no texto literário, mas não pense que isso torna o filme incompleto ou desnecessário: muito pelo contrário, Kaufman foi genial ao arquitetar essa narrativa para um novo contexto, usando as câmeras ao seu favor, mas também a intertextualidade ao, como filme, se conectar a inúmeros outros, com um personagem cinéfilo que, por vezes, se perde na ficção que consome. Tão digno do roteirista de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças!

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo é, ao menos na minha análise, uma lição esquisita e muito complexa sobre vivermos intensamente para não levarmos arrependimentos para o nosso eu adulto ou idoso, que não muito o que fazer para mudar o passado e, talvez, por esses sentimentos atolados na garganta, não tenha força suficiente sequer para viver o presente, quem dirá uma perspectiva de futuro. Mas a vida, em um nível menos artístico, também é esquisito e complexo, então está tudo certo.

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