Herdeiras do Mar: livro conta história das mulheres de consolo coreanas

by - 30 janeiro

Herdeiras do Mar: livro conta história das mulheres de consolo coreanas

Herdeiras do Mar é o romance de estreia de Mary Lynn Bracht, autora de ascendência coreana que conheceu o vilarejo de infância de sua mãe em 2002 e, por lá, a história das mulheres de consolo, escravas sexuais que eram sequestradas e obrigadas a se prostituir em em bordéis japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O livro foi publicado no Brasil em 2020 pela Editora Paralela e, em formato de ficção histórica, narra sobre uma mulher que não existiu de verdade, mas cuja história representa a dor de todas as mulheres de consolo e daqueles que ficaram para trás, como amigos e familiares.

Hana é a nossa protagonista. Hana significa um, em coreano, mas também é uma palavra existente na língua japonesa, flor. Ela nasceu quando a ocupação japonesa já acontecia na Coreia, mas cresceu orgulhosa de poder seguir os passos de sua mãe como uma haenyeo, mulheres mergulhadoras que levam sustento para casa.

A vida na Ilha de Jeju era divertida, ao lado da mãe e de sua irmã mais nova, mas um dia de trabalho se transforma em desespero quando Hana, para salvar a pequena Emi, se vê capturada por um soldado japonês e levada para a Manchúria, onde com apenas 16 anos seria obrigada a se tornar uma mulher de consolo.

Suas condições de vida são péssimas e são inúmeras as atrocidades com ela cometidas, transformando Herdeiras do Mar em uma leitura extremamente forte e difícil, mas igualmente necessária e realista sobre essas vítimas da Segunda Guerra Mundial que não são lembradas nas aulas de história.

O livro se passa em dois tempos: no passado, conhecemos a resiliente Hana e o seu dia a dia de medo e de dor, mas principalmente de luta pela sobrevivência e de vontade de voltar para a casa. No presente conhecemos Emi, aquela que foi salva e ainda hoje, na terceira idade, sonha em rever sua unnie  irmã mais velha, em coreano.

As duas narrativas são intercaladas pelos capítulos do livro, apresentando visões extremamente tocantes de uma história que, a princípio, pode ser ficcional, mas que se assemelha em muito a realidade de inúmeras famílias coreanas que até hoje convivem com as feridas — físicas e emocionais — da Guerra e da ocupação japonesa. Como retrato histórico e extremamente político, o livro nos ajuda ainda a compreender um pouco mais sobre o porquê das relações entre a Coreia e o Japão serem, até hoje, tão frágeis.

E mesmo não sendo um livro de entretenimento, Herdeiras do Mar faz o leitor se aproximar de seus personagens e de sua luta. Você torce por Hana, você chora com Hana, você tem esperanças como Emi, sentimentos empáticos provocados por uma leitura tão delicada, ainda que violenta e, sobretudo, necessária.

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