Love: o livro mais romântico (e ainda perturbador) de Stephen King

by - 08 agosto

Love: o livro mais romântico (e ainda perturbador) de Stephen King

Só um Stephen King para curar a ressaca literária deixada de legado por outro Stephen King.
Quando terminei de ler 'Salem, em junho, entrei em um limbo que nenhum outro livro me chamava a atenção, até receber o e-book de Love pela parceria com a Editora Suma — e, Jesus, Maria e Josezinho, o Carpinteiro amado, que livro!

Pela incrível narrativa de King conhecemos uma história de amor nada usual, extremamente metalinguística e repleta de mistério, suspense, fantasia e uma boa pitada de traumas de infância, por que não? O subtítulo do livro é A história de Lisey. Mas é também a história de Scott, de Amanda, do Boo'ya Moon e de como tudo isso se junta em uma história perturbadoramente romântica e profundamente desagradável, e justamente por isso ser tão boa. 

Lisey Landon, por muito chamado de senhora Landon, ou até mesmo de senhora Scott Landon, é a viúva de um escritor de sucesso que deixou este mundo há dois anos, mas jamais partiu da vida de Lisey. Sua vida sempre se resumiu a orbitar ao redor de seu marido, e a missão de organizar o escritório dele é um obstáculo quase fatal em sua vida, ainda mais com os demônios vazios que assombravam Scott agora prontos para devorarem Lisey de dentro para fora e ao contrário também. 

Eles foram casados por vinte e cinco anos, mas a história entre os dois está apenas começando quando essa viúva, além de lidar com o luto do marido e com a insanidade de uma de suas irmãs, se vê também em meio a uma assustadora jornada por Boo'ya Moon, didivas boas, didivas de sangue e espanes, palavras do vocabulário único e intimista entre Scott e Lisey que dão continuidade a história do casal mesmo dois anos após a morte de uma das partes.  

Todo o terror psicológico, marca registrada dos personagens de Stephen King, se torna ainda mais palpável nesta obra que brinca com os sentidos de sanidade e insanidade. Que anda de ponta-cabeça na corda bamba da loucura, com uma criatividade surreal para a criação de mundos, de mentes, de personalidades e de personas, com tamanha inteligência que, segundo as palavras do próprio King, nada tem a ver com inteligência, porque "muita coisa aqui vem do coração".

E, sinceramente, não são referências fáceis de pegar: eu, mesma, não conhecia nenhuma, com meus inexistentes conhecimentos de música country estadunidense ou dos leitores que King, nas notas do autor, explana ter se inspirado. Mas não fez falta: é tudo apresentado de forma tão inteligível que, mesmo sem ser um Capitão América, é perceptível a linha lógica por trás de cada citação, e que nada está ali por acaso. Principalmente vindo de um livro que tem como personagem outro escritor, dando a Stephen King toda a margem para colocar sua voz e suas referências dentro da cabeça de Scott, mas com a delicadeza de fazê-lo sem transformá-lo em uma persona sua. Scott é Scott. Stephen é Stephen. E ambos são geniais, mas cada qual a sua maneira.

Dentre as histórias de King que li, Love é, sem dúvidas e como o nome já sugere, a mais romântica. Mas também a mais travessa. A mais absurda. A mais assustadora. Conhecer o íntimo de Lisey (e de Scott. e de Amanda. e de Jim. e da coisa-ruim. e do garoto espichado.) é uma viagem por esse turbilhão de sentimentos e de não saber o que é real, o que não é, mas acreditar veementemente em todas as palavras escritas por Stephen King, que te convence como escritor de que a realidade é Ralph. E não há nada tão bom quanto Ralph.

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