(G)I-DLE redefine conceito, coesão e aclamação com Oh My God

by - 07 abril


Na última segunda-feira, 06 de abri, o grupo feminino (G)I-DLE teve seu comeback com o terceiro mini álbum de trabalho do grupo, I Trust, com o lançamento do MV de sua faixa principal, Oh My God. Mais conhecido como uma verdadeira obra de arte e a redefinição de conceito, coesão e aclamação.


Segundo a descrição do vídeo, o conceito da música é autoconfiança: "Passar por negação, confusão, aceitação e confiança e ir de encontro com a realidade, faz você perceber que precisa acreditar em si mesmo. Eu confio em mim mesma. Eu posso ter confiança apenas acreditando em mim".

Entretanto, com o clipe, fãs foram mais a fundo em uma análise que apresenta um romance homossexual entre as personagens interpretadas pelas membros do (G)I-DLE: 


A integrante Yuqi inicialmente representa a pureza, intocada, mas que está prestes a ceder contra seus princípios e se entregar a esse sentimento: em seus primeiros versos, a garota parece confusa em um corredor, tendo visões com Soojin.


Soojin pode ser interpretada como a personificação da lesbianidade, ou um "demônio" que leva as garotas a descobrirem sua sexualidade. Aceitar sua sexualidade a libertou, e ela quer guiar as demais garotas ao mesmo caminho. Embora o preço possa ser alto. Soojin é segura de si, está sempre dançando, sensualizando e a cor roxa, referência a sua sexualidade, se faz presente tanto no cenário como no véu que acompanha suas vestimentas.


Em sua cena solo, Shuhua deixa a cor roxa tomar conta de si, enquanto a letra narra sobre se entrega ao amor ao pintar seu rosto de vermelho escuro, insinuando o desejo. Ela está cercada por outras pessoas, como se estivesse sendo cultuada por ter escolhido revelar sua sexualidade: "Não importa o que digam, apaixone-se".


No clipe, a mensagem é acompanhada de um sussurro/quase beijo de Soojin, que em sua posição de "demônio", marca o pacto com Shuhua. E ela pagará por isso, como mostrado pelas outras integrantes:


Como a primeira cena do MV mostra, dois homens estão arrastando a Minnie para o cenário branco, facilmente interpretado como uma prisão, mas que pode ser como um ambiente de purificação, de "cura gay", no qual as garotas são levadas para refletirem sobre sua escolha. 


Soyeon, dançando por sua liberdade, se recusa a negar sua identidade e acaba no inferno, como mostra o cenário do refrão, pagando pelo pecado de ser ela mesma. Ela o faz de bom grado, entretanto, dançando em meio às demais almas perdidas. 


Miyeon parece uma figura superior e divina, sentada em um trono com suas vestes brancas e imaculadas enquanto o mundo corrói aos seus pés, com pessoas dançando como se estivessem sofrendo, sufocadas, e não livres como os dançarinos ao redor de Soojin. 


Ao contrário de Soyeon e Shuhua, Miyeon escolheu continuar no armário. Ela foi isolada, mas a tristeza que a acompanha é tanta que a garota prefere abandonar sua posição privilegiada, jogando-se em direção ao pecado, representando a morte de sua pureza como um suicídio.


Minnie, ainda no purgatório, também comete o tal suicídio ao optar por aceitar sua sexualidade e tem o mesmo destino que a líder do grupo: ser punida por isso. No fim do clipe é possível vê-la na areia do inferno, como Soyeon.


Apesar do MV mostrar Miyeon se jogando, é Yuqi quem aparece caindo, afirmando que a garota confusa também se rendeu à liberdade pecaminosa. Seus olhos, agora ensanguentados, é uma marca de que algo mudou nela.


Caminhando para o final do clipe, enquanto Soyeon e Minnie lutam no inferno e as outras garotas abraçam seu destino, Soojin aparece mais plena do que nunca, realizada, em uma cena em que o vermelho se destaca no preto, as cores da volúpia, do pecado. Ela nunca foi um demônio, mas uma deusa que levava as garotas às estrelas, como a letra explicita no refrão.


A narrativa é complexa, e muito de sua execução se dá pelo incrível trabalho artístico do MV, que soube lidar com sutilezas como cores, sombras, cenários e figurinos para construir a história sem falas, mas que combina perfeitamente com a letra da música e a mensagem de autoconfiança que este comeback quis passar.

Conceito, coesão e aclamação.

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2 comentários

  1. Arrasou PQP. Me arrepiei todinha. Você fez faculdade de quê? Análise perfeita.

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    1. Oi! Eu acabei de me formar em Letras - Português e Inglês, ainda não atualizei a biografia do blog (obrigada pelo lembrete, aliás!).

      Fico feliz que tenha gostado da análise! ❤

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