“Histórias de Terror para Crianças Estranhas” também é para adultos

by - 13 março

“Histórias de Terror para Crianças Estranhas” também é para adultos

Histórias de Terror para Crianças Estranhas foi uma das primeiras obras publicadas pela Bast!, selo editorial da Jambô liderado por Flávia Gasi, Nami Teruya e Rebeca Puig a favor da publicação de livros e comics de autoria feminina e de minorias. Nesta edição, o texto inédito é de Rebeca Puig com ilustrações de Rebeca Prado.

De cara o que me chamou atenção na obra foi o traço inesquecível de Rebeca Pradro (@incbeka), artista que já acompanho a algum tempo e cujo talento me motivou a levar para a casa um exemplar de Histórias de Terror para Crianças Estranhas. Suas ilustras me encantam pela simplicidade, mas ao mesmo tempo riqueza de detalhes que sutilmente apresentada, tanto em seus personagens incomparáveis quanto nos belos cenários que rementem aos mais fantásticos contos de fadas.

“Histórias de Terror para Crianças Estranhas” também é para adultos

O texto de Rebeca Puig também vai por uma vertente fantástica, apresentando três pequenos contos ricos em moral, tal como os grandes clássicos incansavelmente adaptados pela Disney, mas com o diferencial de ser focado para as crianças estranhas, aquelas que torcem mais para o vilão do que para a princesa, que gostam de se vestir de bruxa e que não tem medo do lobo mau

Com muita sabedoria, a obra é facilmente apreciável não só pelos mais novos, mas também (ou até mesmo principalmente) pelos mais velhos. O encanto de personagens como Cthulhu pode passar despercebido aos pequenos que ainda não tiveram contato com essa referência, mas os adultos geeks com certeza se encantarão com suas bochechas rosadas — sério, Beka, você é um gênio do mau e da fofura!

“Histórias de Terror para Crianças Estranhas” também é para adultos

O mais incômodo, talvez, sejam as rimas. Esse tipo de musicalidade costuma funcionar na maioria dos livros infantis, mas neste pareceram limitar a criatividade da autora. Os pequenos contos parecem incompletos, como se a necessidade de encontrar palavras que rimem (o que também nem sempre é bem-sucedido) fosse maior do que de contar a história, e não acho que a forma supere o conteúdo neste caso. 

A execução das rimas foi uma triste decepção durante a leitura, mas a obra ainda é muito rica. Há uma enorme beleza sombria presente em Histórias de Terror para Crianças Estranhas, cujo único medo que transmite ao leitor é o de ser uma pessoa "normal" que jamais compreenderia como o estranho também pode ser belo — e até mesmo fofo, por que não?

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