Resenha | Hotel del Luna mostra a beleza dos ritos de passagem

by - 29 novembro

Resenha | Hotel del Luna mostra a beleza dos ritos de passagem

Originalmente exibido em 2019, Hotel del Luna é um drama de comédia romântica e fantasia da tvN, mesma emissora por trás de sucesso como Goblin (2016) e It's Okay To Not Be Okay (2020). O projeto é dirigido por Oh Choong-Hwan, de While You Were Sleeping (2017) e Start Up (2020), e tem roteiro assinado por Hong Miran e Hong Juneun, dupla que já trabalhou junta em The Master's Sun (2013).

A trama acompanha a jornada de Jang Manwol (IU), que faleceu há 1300 anos mas, devido a um grande erro que cometeu, está fadada a administrar uma pousada para fantasmas finalizarem seus propósitos na Terra antes de partirem para o mundo dos mortos. O Hotel del Luna é invisível aos olhos humanos, exceto pelo perfeccionista e bem intencionado Gu Chansung (Yeo Jingoo), um gerente de hotelaria formado em Harvard que se torna o novo escolhido para ser o braço direito do Del Luna, onde sua vida virará de cabeça para baixo — e terá seu coração tomado em um romance impossível

Resenha | Hotel del Luna mostra a beleza dos ritos de passagem

Embora seja um drama sobrenatural, a história passa longe de ser um terror, com seu roteiro mais dedicado a explorar o quadro emocional de cada um de seus personagens, vivos ou mortos, em uma jornada dramática e repleta de reviravoltas que fisgam a atenção do espectador do começo ao fim. Entretanto, não se surpreenda com as lágrimas: embora Hotel del Luna seja oficialmente descrito como uma comédia romântica e, de fato, tenha muitos momentos divertidos, sua reta final, principalmente, apresenta uma sequência de narrativas que provocarão os mais sinceros choros.

Além de Manwol e Chansung, o drama traz uma série de personagens secundários que conquistam o espectador. O trio de funcionários do Del Luna são os mais recorrentes e aprofundados, cada qual com suas próprias lástimas que ainda os prendem ao mundo dos vivos mesmo anos após suas mortes. Conhecer a história do passado de cada um deles, do que os levou ao Hotel e do que precisam para poderem enfim descansar é uma das partes mais interessantes do drama

Resenha | Hotel del Luna mostra a beleza dos ritos de passagem

Muitos outros personagens também passam pelo Hotel del Luna, incluindo espíritos de acidentados, mortos naturais e assassinatos, todos com suas tramas próprias que os protagonistas nos ajudam a desvendar enquanto guiam essas almas ao pós-vida. Algumas histórias são tão intrigantes que é impossível não se envolver com estes personagens passageiros, como tudo na vida

Nem mesmo em del Luna as coisas são eternas e, mesmo vivendo por 1300 anos, um hora ou outra aqueles que fazem (fizeram?) essa história acontecer terão de partir e, ainda que o espectador saiba disso desde o primeiro episódio, nunca estamos preparados suficiente se preparar para o adeus, cativados pela experiência que foi conhecê-los — tanto os personagens fictícios do drama quanto as despedidas da vida real.

Resenha | Hotel del Luna mostra a beleza dos ritos de passagem

Entretanto, todos os laços de Hotel del Luna provam que os nossos ritos de passagem podem ser belos e que a marca que deixamos para trás é importante, portanto devemos viver intensamente — afinal, nada garante que teremos uma pousada espiritual para aliviar nossas frustrações antes de partimos para a próxima vida, seja ela como for, se é que for algo. O jogo de crenças presentes no drama também é maravilhoso, levando o público a questionar suas próprias significações sobre a vida, a morte.

Com tantas coisas acontecendo, ainda há tempo para o desenvolvimento de um romance quase shakespereano, fadado ao desastre ao estilo Romeu e Julieta, mas que nem por isso se permite deixar de ser belo e pleno enquanto existe. Sem spoilers, entretanto, garanto que o final do drama honra todo o trabalho construído ao longo de seus dezesseis episódios, entregando coesão e coerência, mas também muita emoção. Hotel del Luna é, com certeza, um drama que merece ser assistido.

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