Shine: o livro aberto de Jessica Jung sobre a indústria do K-POP [RESENHA]

by - 06 novembro


Jessica Jung é uma das maiores estrelas que já pisou no cenário do K-POP e, agora, transforma todas as suas experiências de vida e carreia em um livro de ficção Young Adult que promete conquistar leitores em todo o mundo enquanto aborda os temas mais importantes dos bastidores da indústria idol. Shine: Uma Chance De Brilhar foi lançado no Brasil em 29 de outubro de 2020 pela editora Intrínseca, com tradução de Giu Alonso, sobrecapa com ilustração de Junno Sena — escolhida pela própria autora em um concurso! — e um kit exclusivo de cards, bem ao estilo álbum de k-pop.

"Cabeça erguida, pernas cruzadas. Barriga para dentro, coluna ereta. Sorria como se o mundo inteiro fosse seu melhor amigo. Repito o mantra na mente enquanto a câmera foca em meu rosto. Os cantos dos meus lábios pintados com gloss cor-de-rosa se erguem em um sorriso perfeito e doce que faz você querer me contar todos os seus segredos."


Rachel Kim largou qualquer possibilidade de viver uma adolescência normal nos Estados Unidos para se dedicar ao rigoroso programa de treinamento da DB Entertainment — entretanto, seis anos já se passaram e suas esperanças de realizarem o tão aguardado sonho de estrear em um grupo de K-POP começam a se esvair, principalmente com a sua mãe cada vez mais insistente em que ela abandone o treinamento e se dedique a entrar em uma universidade. 

Quando menos esperava a oportunidade perfeita aparece: a empresa escolherá uma trainee para cantar com Jason Lee, seu maior astro, e essa pode ser a última chance de Rachel mostrar seu talento e se garantir como integrante do próximo girlgroup. Um romance imprevisto e as atitudes competitivas de outra candidata, entretanto, podem colocar Rachel fora de jogo — mas ela não irá desistir: no amor e no k-pop, vale tudo. Ou ao menos quase tudo


A trama é inspirada na própria trajetória de Jessica Jung como trainee, em sua adolescência, e em sua ascensão ao topo como integrante do Girls' Generation e, posteriormente, como solista na Coridel Entertainment. A história pode não ser autobiográfica, mas a artista possui repertório o suficiente para redigir um texto fictício e ao mesmo tempo realista sobre os bastidores do K-POP. 

Mais do que buscar referências de sua vida pessoal no livro — o que, já adianto, é em vão: desistam das esperadas tretas! —, a obra é um sincero retrato de como o colorido universo do K-POP esconde males em suas empresas, levando jovens garotas não só a exaustão durante os duros treinamentos e período de desumanização (sem namoro! não engorde! nada de polêmicas! seja perfeita!), mas de como a mentalidade delas também é afetada. 


Uma das personagens em questão, Mina, possui atitudes extremamente errôneas para, custe o que custar, garantir sua vaga no próximo girlgroup da empresa, mas é ainda mais errôneo taxá-la de vilã quando, na verdade, ela só está agindo conforme o jogo de sobrevivência proposto pela empresa, onde os meios não importam. Essa narrativa possibilita, ainda, uma maior profundidade da obra e de seus personagens, que ganham novas cargas dramáticas enquanto evoluem, característica marcante da literatura YA.

Entretanto, algumas coisas ainda são de fato muito explícitas no livro, já confirmadas pela própria Jessica Jung como, por exemplo, a inspiração em sua irmã e também artista, Krystal, na criação da jovem Leah, uma das personagens mais interessantes e apaixonantes de toda a obra — ao ponto de fazer os leitores desejarem um spin-off focado só nela e em suas futuras aventuras. Por favor, Jessica, faça acontecer!


Outro grande ponto da obra é a identidade americana-coreana dos protagonistas: de família coreana e nascida nos Estados Unidos, a jovem nunca se sentiu suficientemente americana, mas também não se sente totalmente coreana quando está na Coreia, sofrendo bullying em ambos os países enquanto aprende a se amar, a se respeitar e a abraçar o seu eu em uma discussão enriquecedora sobre etnia, nacionalidade e identidade

A trama se desenvolve, ainda, abordando questões como a pressão familiar, amizades, interesses e uma rede de mentiras que promete grandes reviravoltas ao longo das 368 páginas de Shine. O romance da protagonista pode até parecer o grande enfoque da trama, mas é apenas um plano de fundo para o surgimento de grandes intrigas que revelarão a público tudo o que Jessica sabe sobre os bastidores da música idol, ainda que com aquele quê de exagero fictício que, sinceramente, adoramos!


O livro é o primeiro de uma duologia, deixando portanto um final bastante aberto para que as personagens retornem em uma sequência, Bright, já prometida para o ano de 2021. Se vimos a competitividade no período de treinamento em Shine, podemos esperar para ver como o assunto continuará a se desmanchar agora sob os holofotes de um grupo recém-debutado que precisa lidar não só com seus problemas internos, mas com a crescente pressão pública. Já estamos ansiosos!

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